OAB-SP propõe código de ética digital ao STF
Documento sugere regras para conduta de ministros no ambiente digital e maior transparência na distribuição de processos
A seccional de São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) encaminhou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, uma proposta de Código de Ética Digital direcionada à Corte. O documento apresenta diretrizes para a atuação dos ministros no ambiente digital, incluindo a separação de comentários de processos que possam vir a julgar, divulgar informações internacionais ou sigilosas e manter "interações digitais" que possam comprometer sua imparcialidade.
Entre as sugestões, está a exigência de que a distribuição de processos entre os ministros siga os critérios objetivos e previamente propostos , além de determinar que qualquer alteração nos sistemas ou regras de distribuição passe por um procedimento formal. Atualmente, não há transparência sobre os algoritmos usados no sorteio de relatos dos processos.
Outra recomendação é que os ministros declarem publicamente suas participações societárias , incluindo as de parcerias e parentes de primeiro grau. Também propõe a suspensão de atuação em processos que envolvam entidades nas quais tenham interesse econômico.
O texto foi elaborado pela Comissão de Estudos para a Reforma do Judiciário da OAB-SP, em complemento à proposta de código de conduta enviada ao Supremo em janeiro. A comissão é formada por ex-ministros do STF, como Ellen Gracie e Cezar Peluso, pelos ex-ministros da Justiça Miguel Reale Jr. e José Eduardo Cardozo, além de outros especialistas.
A implementação de um código de conduta para o Supremo é uma das prioridades da gestão de Fachin, mas enfrenta resistências internas. O debate se intensificou após surgirem denúncias de possíveis conflitos de interesse envolvendo os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes e o Banco Master.