Presidente do PT afirma que Flávio Bolsonaro representa "essência do pensamento fascista" e pede reação do partido
Edinho Silva convoca militância a enfrentar avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas e alerta para riscos de imagem do senador.
O Partido dos Trabalhadores (PT) prepara uma ofensiva contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do PL à Presidência da República. A decisão ocorre após pesquisas de intenção de voto apontarem crescimento de Flávio, mesmo com a eleição marcada apenas para outubro, levando a legenda a rever sua estratégia.
"Flávio Bolsonaro é a essência do pensamento fascista e ultraconservador brasileiro. Se não falarmos isso, ele será 'o amigo Flávio', o candidato palatável", afirmou o presidente do PT, Edinho Silva, na última sexta-feira (27), durante conferência da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), majoritária no partido.
O encontro teve como pauta as diretrizes da campanha de reeleição de Lula e serviu de alerta diante das dificuldades recentes enfrentadas pela sigla.
Edinho reforçou a necessidade de enfrentar Flávio Bolsonaro no debate político, destacando o histórico do senador: "Ele não nasceu da casca do ovo. Vamos olhar cada votação que ele teve. Agora, ele quer virar um copo vazio. Ele não é um copo vazio porque é a herança do autoritarismo e do fascismo", disse, em referência ao fato de Flávio ser filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso por tentativa de golpe.
Diante de uma plateia formada por políticos e figuras do partido, como o ex-ministro José Dirceu, Edinho classificou Flávio como "catalisador de um sentimento antissistema" e pediu reação rápida dos correligionários para expor os problemas do senador.
Apesar de não mencionar diretamente, Edinho aludiu ao escândalo da "rachadinha". Em 2020, Flávio foi acusado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro de chefiar uma organização criminosa que recolhia parte do salário de funcionários de seu gabinete, quando era deputado estadual, para benefício próprio. O senador nega as acusações.
Edinho reconheceu o momento difícil enfrentado pelo partido: "Nós ficamos às vezes estarrecidos quando a gente oscila um pouco nas pesquisas. O que nós temos de entender é que estamos vivendo de fato um momento difícil, de acirramento da conjuntura, e de uma dificuldade imensa de dialogarmos com a sociedade brasileira. Isso nós não podemos negar". No entanto, afirmou que o PT tem "todas as condições" de garantir a vitória de Lula.
Durante o encontro, dirigentes demonstraram preocupação com o desgaste causado pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS e pelo escândalo do Banco Master envolvendo a campanha de Lula.
Na quinta-feira (26), a CPMI decidiu quebrar o sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, em uma sessão marcada por tumultos e agressões entre parlamentares.
Edinho também alertou para a necessidade de enfrentar a "ofensiva de redes sociais" contra Lula e o PT, classificando a mobilização digital bolsonarista como profissional e organizada. Segundo ele, a "estrutura fraudulenta" que ameaça o sistema financeiro não foi criada no atual governo.
"Se nós ficarmos inertes, Flávio Bolsonaro será o 'amigo Flávio'. Mas nós não vamos dizer de quem ele é amigo?", provocou Edinho, ao citar as ligações do senador com opositores de pautas populares e com setores envolvidos em escândalos financeiros. Ele cobrou: "Ou o PT levanta a bandeira da reforma política ou não seremos o partido antissistema".
Apesar do tom crítico, Edinho estimulou a militância a partir para o enfrentamento, destacando a força dos apoiadores do partido nas redes sociais: "Nenhum robô debate mais do que um militante estimulado", concluiu.