CONGRESSO NACIONAL

Hugo Motta descarta votação sobre legalização de supersalários na Câmara

Presidente da Câmara afirma que não há ambiente para discutir projetos que permitam pagamentos acima do teto constitucional

Publicado em 26/02/2026 às 13:46
Hugo Motta Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta quinta-feira (26) que a Casa não irá votar projetos que visem legalizar "penduricalhos" e supersalários para servidores públicos, ou seja, remunerações acima do teto constitucional. Segundo Motta, não há clima para debater o tema no momento.

"A Câmara dos Deputados e o presidente Hugo Motta não pautarão nenhum tipo de legalização de pagamento de supersalários. Primeiro, porque sou contra. Segundo, porque a sociedade não aceita. Terceiro, porque não vejo ambiente na Câmara para aprovar uma medida legislativa que legalize isso", declarou em entrevista ao portal Metrópoles.

Motta informou ainda que o grupo de trabalho responsável pelo tema deverá iniciar as reuniões nos próximos dias, defendendo iniciativas que combatam os supersalários e promovam maior eficiência no serviço público.

Nesta semana, Motta e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), reuniram-se com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, para discutir a questão.

"Como encaminhamento, deliberou-se que nos próximos dias será formulada proposta de regra de transição, em respeito à Constituição e aos limites do teto constitucional", diz nota divulgada pelo Supremo após o encontro.

PL da Dosimetria

O presidente da Câmara também avaliou que a discussão sobre uma possível anistia total aos condenados pelos atos extremistas de 8 de janeiro está "superada" com a aprovação do projeto de dosimetria, e que o tema não deve voltar à pauta em 2026.

"Essa matéria acerca da anistia está superada com a aprovação da dosimetria. Reabrir esse debate agora seria um desserviço ao País e quero já, de antemão, dizer que essa discussão não entrará na Câmara dos Deputados", enfatizou.

Segundo Motta, a dosimetria, que prevê redução de penas, foi o "projeto possível". Agora, cabe ao Congresso analisar os vetos feitos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao texto. Ainda não há definição de data para a votação dos vetos, que será marcada pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre.

Indicação ao TCU

Hugo Motta reafirmou seu apoio ao deputado Odair Cunha (PT-MG) para uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU), destacando-o como um parlamentar "equilibrado" e aberto ao diálogo.

"Reafirmo esse compromisso com o deputado Odair, que é um deputado equilibrado, é um deputado que, mesmo sendo do PT, não tem aquele viés ideológico de extrema esquerda. O deputado Odair sempre foi uma pessoa muito dada ao diálogo", afirmou Motta.

O presidente da Câmara explicou que o apoio a Odair foi parte do acordo político para sua eleição ao comando da Casa. "É sabido por todos que, durante a construção do nosso processo de eleição, fizemos um acordo com o Partido dos Trabalhadores em torno do nome do deputado Odair Cunha. Toda a Câmara sabe disso", disse.

Motta ressaltou, porém, que a indicação não será feita "por imposição", mas sim por meio de diálogo e construção coletiva. "É claro que o acordo do presidente tem que ser construído com cada deputado, com cada liderança, não é uma eleição feita mecanicamente, nem com imposição, o voto é secreto", completou.

Caso seja eleito, Odair Cunha ocupará a vaga deixada pela aposentadoria de Aroldo Cedraz, formalizada nesta quinta-feira no Diário Oficial da União (DOU).