OPERAÇÃO LAMAÇAL

Ex-prefeito de Lajeado é preso pela PF por suspeita de desvio de verbas federais após enchentes

Ação da Polícia Federal investiga irregularidades no uso de recursos destinados à assistência social após as enchentes no RS; mandados de prisão e busca foram cumpridos em oito cidades.

Publicado em 26/02/2026 às 10:47
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Marcelo Caumo, ex-prefeito de Lajeado, foi preso na manhã desta quinta-feira, 26, pela Polícia Federal durante a segunda fase da Operação Lamaçal, que investiga possíveis desvios de verbas federais repassadas ao município após as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024.

De acordo com a PF, o foco da operação é apurar o desvio de recursos públicos federais provenientes do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS), destinados à administração municipal de Lajeado em razão das enchentes ocorridas em maio de 2024.

O advogado Jair Alves Pereira, representante da defesa de Caumo, informou que tomou conhecimento da prisão por meio da família do ex-prefeito. Ele declarou que ainda não teve acesso à decisão judicial e considera a medida desnecessária. "Eu desconheço os fundamentos do decreto", afirmou.

A operação contou com o cumprimento de 20 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão temporária, expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Também houve sequestro de veículos e bloqueio de ativos financeiros.

As diligências ocorreram nos municípios de Lajeado, Muçum, Encantado, Garibaldi, Salvador do Sul, Fazenda Vilanova, Novo Hamburgo e Porto Alegre.

Segundo a PF, foi determinado ainda o afastamento cautelar de cargos públicos ocupados por dois investigados, além da prisão temporária de outros dois. Foram apreendidos três veículos, aparelhos eletrônicos e documentos relacionados às investigações.

Os investigados poderão responder por crimes como desvio ou uso indevido de recursos públicos, contratações diretas ilegais, fraude em processos licitatórios ou contratuais, corrupção passiva e ativa, associação criminosa, lavagem de dinheiro, entre outros delitos.

A primeira fase da Operação Lamaçal ocorreu em novembro de 2025. Conforme a PF, a análise preliminar do material apreendido confirmou suspeitas de manipulação em processos de licitação.

As investigações apontaram irregularidades em três licitações da prefeitura de Lajeado, envolvendo empresas de um mesmo grupo econômico contratadas para prestar serviços de assistência social.

Há indícios de que as escolhas não observaram a proposta mais vantajosa e de que os valores pagos estavam acima dos preços de mercado, segundo a Polícia Federal.