POLÍTICA

Estratégia eleitoral de presidente da CPMI do INSS passa por investigado em MG

Publicado em 26/02/2026 às 09:43
Carlos Viana é o presidente da CPMI Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Com pouco mais de um mês para o fim da CPMI do INSS, o presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), pode migrar para os Republicanos, partido que é controlado no Estado por um investigado no esquema de fraudes a aposentadorias.

Presidente do diretório mineiro da legenda, o deputado federal Euclydes Pettersen é investigado pela Polícia Federal e foi alvo de pedidos de convocação feitos por membros da CPMI que não foram pautados por Viana.

Um dos articuladores da migração de Viana para os Republicanos é o filho do senador, o deputado Samuel Viana (Republicanos-MG). Ele tem afirmado que a legenda seria "um bom partido de centro-direita" para a reeleição do pai.

Aos presidentes de partido nos Estados cabem decisões sobre a formação de chapas de candidatos a cargos de deputado, governador e senador, e também sobre o repasse de recursos eleitorais para as campanhas.

Procurado por meio do assessor, Carlos Viana não comentou.

Correligionários, Samuel Viana e Euclydes Pettersen apareceram juntos em uma confraternização de políticos mineiros em Arraial d'Ajuda, na Bahia, no mês passado. O encontro aconteceu por iniciativa de Pettersen.

A foto do encontro, na qual ambos aparecem sentados lado a lado ao centro, circulados entre membros da CPMI do INSS, que têm visto com preocupação os últimos movimentos de Carlos Viana à frente dos trabalhos.

Também participou do encontro o prefeito de Patos de Minas, Luiz Eduardo Falcão, marido da deputada Lud Falcão (Podemos). Ele foi eleito pelo Novo e esteve sem partido desde abril do ano passado. Nesta terça-feira, 24, filiou-se aos Republicanos, com Samuel Viana e Euclydes Pettersen. A mulher do prefeito também deve migrar.

Os Republicanos têm como pré-candidato ao governo de Minas Gerais o senador Cleitinho. Recém-chegado, Falcão também é cotado para concorrer ao governo pelos Republicanos. É nesta chapa que Carlos Viana pretende ser candidato à reeleição.

Para esta quinta, o presidente da CPMI colocou, como segundo item da pauta, um pedido de informações à financeira que pertence ao governador Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, apresentado em 5 de dezembro. A medida é vista pelos membros da comissão como instrumento de pressão eleitoral.

O prazo final da CPMI do INSS é 28 de março. A segunda fase da CPMI, após o recesso, teria como foco os empréstimos consignados oferecidos pelos bancos. O presidente do colegiado ainda não pautou o depoimento de representantes dessas instituições financeiras.

O depoimento de um representante do BMG chegou a ser previsto para a última segunda-feira, 23, conforme uma primeira versão da pauta dos trabalhos distribuídos aos integrantes do colegiado.

Em seguida, Viana anunciou ter feito um acordo para que fosse colhido o depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, investigado por fraudes financeiras bilionárias.

Vorcaro não compareceu à reunião da CPMI de segunda-feira e ficou restrito à colheita de depoimento de uma mulher de um operador financeiro de uma das entidades associativas investigadas. A avaliação geral foi de que a reunião foi pouco produtiva.

Na segunda, Viana também anunciou que pretende colocar os dados sigilosos de Daniel Vorcaro, liberados à CPMI por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em uma “sala-cofre”.

O procedimento seria necessário “até a gente ter chance de analisar o que está lá”, segundo ele. As informações restritas de nenhum dos investigados tiveram esse tratamento até agora.

Presidente do Republicanos-MG aparece em lista de propina

Euclydes Pettersen foi alvo da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, em novembro, com ordem de busca e apreensão contra ele.

De acordo com a investigação, ele recebeu proposta para proteger politicamente a Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), uma das entidades envolvidas nos descontos indevidos nas retiradas.

Segundo a investigação, Pettersen teria recebido cerca de R$ 14 milhões de propina, com o objetivo de cegar a entidade de investigações e influência no INSS.

Ele era, de acordo com a polícia, "a pessoa melhor paga na lista de propina" e, ainda, "figura essencial ao esquema" pois fazia a ponte entre o presidente da Conafer, Carlos Roberto, e pessoas que tinham influência na indicação de nomes para a presidência do INSS.

Pettersen afirmou à reportagem que mantém somente "encontros de corredor" com Carlos Viana e que o encontro com Samuel Viana na Bahia foi ocasional.

Samuel Viana afirmou que não tem influência sobre a CPMI do INSS e que interage normalmente com Pettersen porque ele é presidente de seu partido.