INVESTIGAÇÃO FEDERAL

Receita Federal solicita custódia de joias dadas a Bolsonaro para iniciar processo de perdimento

Pedido foi feito à Polícia Federal no âmbito do inquérito no STF que apura tentativa de ingresso irregular dos presentes no país.

Publicado em 25/02/2026 às 15:22
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A Receita Federal solicitou à Polícia Federal a custódia das joias sauditas entregues ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), apreendidas em investigação policial, para dar início ao procedimento fiscal de perdimento dos bens.

O pedido foi formalizado no contexto do inquérito que investiga Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Em 2023, o jornal Estadão revelou que o governo Bolsonaro tentou trazer ilegalmente ao Brasil presentes do regime da Arábia Saudita destinados ao então presidente e à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Os itens foram apreendidos no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.

Reportagens apontaram que o governo Bolsonaro fez diversas tentativas para reaver as peças sem pagamento de impostos e multas previstos em lei. A última investida ocorreu dois dias antes do término do mandato, em dezembro de 2022.

Após a revelação do caso, Michelle Bolsonaro afirmou nas redes sociais que desconhecia a existência das joias: "Quer dizer que, 'eu tenho tudo isso' e não estava sabendo? Meu Deus! Vocês vão longe mesmo hein?! Estou rindo da falta de cabimento dessa impressa (sic) vexatória", publicou no Instagram em março daquele ano.

Jair Bolsonaro declarou à CNN Brasil que não tinha conhecimento dos presentes e valores, alegando que as joias seriam destinadas ao acervo da Presidência. Ele negou qualquer irregularidade.

Em julho de 2024, com base nas investigações do Estadão, a Polícia Federal indiciou Jair Bolsonaro por peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. A Operação Lucas 2:22 reconstituiu o esquema de desvio de presentes de alto valor para venda no exterior. Outros dez investigados também foram indiciados.