JULGAMENTO NO STF

Mãe de Marielle Franco passa mal e deixa plenário do STF durante julgamento dos mandantes

Marinete da Silva, mãe da ex-vereadora, foi amparada por familiares e precisou de atendimento após relator citar detalhes do crime.

Publicado em 25/02/2026 às 11:48
Reprodução

Marinete da Silva, mãe da vereadora Marielle Franco, deixou o plenário da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) em lágrimas e apresentou sinais de mal-estar nesta quarta-feira, 25, durante o segundo dia de julgamento dos mandantes do assassinato de Marielle e do motorista Anderson Gomes. Ela foi prontamente atendida por bombeiros do STF.

O episódio ocorreu quando o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, mencionou a delação de Ronnie Lessa — executor confesso do crime — detalhando o planejamento do assassinato. Marinete foi amparada pela filha, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, enquanto um bombeiro acompanhava ambas.

Na antessala do plenário, Marinete recebeu atendimento de dois bombeiros, contando ainda com o apoio emocional de Anielle e da neta, Luyara Santos. Ela relatou que o mal-estar pode ter sido causado por um aumento de pressão, provocado pelo estresse do julgamento.

Anielle e a mãe permaneceram por mais de quarenta minutos na área externa do plenário. O pai de Marielle, Antônio Francisco da Silva Neto, permaneceu no plenário acompanhando o voto do ministro Moraes e só se ausentou brevemente para verificar o estado de saúde da esposa, retornando com ela à sessão.

No início do voto, o relator apresentou sua análise sobre as motivações do crime. Alexandre de Moraes votou pela condenação dos quatro réus e destacou que as provas reunidas pela Polícia Federal contra Chiquinho e Domingos Brazão são "coerentes" e "harmonizadas", demonstrando a "motivação" e a "forma de pagamento" do assassinato executado por Ronnie Lessa.

"Se juntou a questão política com a misoginia, o racismo, a discriminação. Marielle Franco era uma mulher preta, pobre, que estava, no popular, peitando os interesses de milicianos. Qual o recado mais forte que poderia ser feito? Na cabeça misógina, preconceituosa, dos mandantes e executores, quem iria ligar para isso? 'Vamos eliminá-la e isso não terá grande repercussão'", afirmou Moraes.