INTEGRAÇÃO INTERNACIONAL

Representação brasileira no Parlasul aprova acordo Mercosul-União Europeia

Relatório foi aprovado por unanimidade e segue para votação na Câmara dos Deputados e no Senado; acordo prevê redução de tarifas e mecanismos de proteção à indústria nacional.

Publicado em 24/02/2026 às 12:04
O senador Humberto Costa Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

A criação de uma ampla zona de livre comércio entre Mercosul e União Europeia avançou no Congresso Nacional com a aprovação, por unanimidade, do relatório sobre o acordo comercial na Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul), nesta terça-feira (24).

A votação ocorreu após a retomada da análise, interrompida por pedido de vista no dia 10 de fevereiro. Agora, a proposta segue para o Plenário da Câmara dos Deputados e, posteriormente, para o Senado. O tratado foi encaminhado pelo Executivo ao Congresso Nacional por meio da mensagem MSC 93/2026.

O relatório, apresentado pelo presidente do colegiado, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), destaca que o acordo prevê redução gradual de tarifas, salvaguardas para setores sensíveis e mecanismos de solução de controvérsias. O objetivo é a formação de um mercado integrado, que reúne cerca de 718 milhões de pessoas e uma das maiores correntes comerciais do mundo.

“De fato, nós estamos tratando aqui de uma pauta que abre uma imensa janela de oportunidades. Esse acordo expressa exatamente uma visão multilateral de mundo”, enfatizou o deputado Arlindo Chinaglia.

O senador Humberto Costa (PT-PE) defendeu a aprovação do texto e ressaltou o potencial de expansão de mercados e ganhos de competitividade para a indústria brasileira.

“Estamos hoje tomando uma decisão extremamente importante. A transição para que tenhamos impostos zerados permite que o país se adapte e dispute em igualdade com produtos da União Europeia”, afirmou Humberto Costa.

Autor do pedido de vista que suspendeu a última reunião, o deputado Renildo Calheiros (PCdoB-PE) reconheceu avanços, mas alertou para desafios à indústria nacional, especialmente diante das assimetrias produtivas e financeiras entre os blocos.

“Esse acordo coloca para nós um enorme desafio, e o Brasil precisa observar o calendário previsto para não permitir que a indústria desapareça completamente”, declarou Calheiros.

O senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) e vice-presidente da Representação Brasileira no Parlasul, avaliou que o acordo pode inaugurar uma nova fase de integração e defendeu acompanhamento técnico durante a tramitação.

“É uma oportunidade positiva e precisamos mitigar eventuais problemas ao longo do processo no Congresso. Vamos criar um grupo de trabalho com técnicos e consultores no Senado e realizar audiências públicas para esclarecer dúvidas e evitar prejuízos a quaisquer setores produtivos nacionais”, afirmou Nelsinho Trad.