ELEIÇÕES 2026

Mapa das prefeituras reforça força do MDB em Alagoas e isola JHC na disputa de 2026; veja

Com cerca de 70 prefeitos, MDB amplia capilaridade no interior; oposição gira em torno do bloco de Arthur Lira (PP) e da ações da prefeitura de Maceió, hoje a principal vitrine de JHC.

Publicado em 23/02/2026 às 15:07
Renan Filho do MDB, hegemonia nas prefeituras alagoanas; JHC, isolado, só tem a própria prefeitura e as de Arthur Lira, se esse for apoiá-lo Arquivo

A fotografia do poder municipal em Alagoas segue apontando para um cenário de vantagem estrutural do MDB na corrida de 2026. Com aproximadamente 70 prefeituras, segundo números divulgados em matérias sobre a contabilidade partidária e o movimento de filiações no pós-eleição municipal, a legenda do senador Renan Filho mantém a maior capilaridade no estado - uma rede de prefeitos que pesa especialmente em eleições majoritárias, quando a engrenagem do “municipalismo” costuma funcionar como cabo eleitoral, palanque e logística de campanha.

O dado ganha força quando comparado ao desempenho recente: após as eleições municipais de 2024, o MDB já aparecia como partido com 65 prefeitos eleitos em 102 municípios, índice que o colocou, proporcionalmente, entre os maiores do país.

Dois blocos e um desequilíbrio territorial

No tabuleiro descrito por lideranças e bastidores locais, o campo emedebista agrega, além das prefeituras do próprio MDB, administrações de outras siglas que orbitam esse eixo político. Na outra ponta, o bloco de oposição se organiza principalmente em torno do deputado federal Arthur Lira (PP), que anunciou pré-candidatura ao Senado e mantém articulações com prefeitos e lideranças municipais, mirando a construção de uma base competitiva para 2026.

A leitura predominante nos bastidores é que, mesmo somando as prefeituras do PP e aliados, a oposição ainda enfrenta um desafio: capilaridade no interior. Em Alagoas, onde o eleitorado é fortemente influenciado por redes municipais — de alianças locais à prestação de serviços e presença política — o peso da máquina de prefeitos costuma ser decisivo na construção de palanques, alianças e transferência de apoio.

Maceió como “fortaleza” - e o risco do isolamento

No campo adversário ao MDB, a grande vitrine é Maceió. A capital concentra visibilidade, orçamento, agenda institucional e poder de comunicação - e é justamente onde está a principal força do grupo do prefeito JHC. A sucessão municipal também entra no radar, com a expectativa de protagonismo do vice Rodrigo Cunha no rearranjo político do grupo na capital.

O ponto central para 2026, porém, é o alcance fora da capital. Sem uma malha ampla de prefeitos alinhados no interior, a oposição tende a depender de apoios pontuais e de lideranças locais — muitas vezes sem controle de máquina administrativa — o que pode não ser suficiente numa disputa majoritária em que os municípios se tornam “cabos eleitorais” de peso.

O que o MDB tenta consolidar: “prefeiturização” do projeto

Um dado que circula no próprio noticiário político é que o MDB trabalha com a ideia de ampliar ainda mais o arco de apoio, chegando a estimativas de adesão de grande parte dos prefeitos do estado ao projeto majoritário do partido.

Na prática, isso significa transformar a força municipal em combustível para outubro: prefeitos organizando agendas, construindo palanques regionais, abrindo portas em comunidades e ampliando a presença territorial — uma vantagem clássica em estados de perfil municipalista.

Cenário aberto, mas com tendência clara

Nada disso “fecha” a eleição — e 2026 ainda terá variáveis como alianças de última hora, tempo de TV, recursos, efeito nacional, desempenho de governos e capacidade de mobilização digital. Mas o mapa das prefeituras já aponta uma tendência relevante: o MDB chega com uma base municipal robusta, enquanto a oposição precisará superar o desafio de interiorização para não depender apenas do peso da capital.

Em uma disputa em que prefeitos costumam “puxar” votos, a pergunta política que fica é simples: quem conseguirá transformar apoio municipal em votos majoritários — e quem ficará restrito a bolsões eleitorais?