Renan Calheiros denuncia pressão sobre o TCU no caso Banco Master e cita Hugo Motta e Arthur Lira
O senador Renan Calheiros afirmou, em entrevista concedida a uma emissora de televisão, que o escândalo envolvendo o Banco Master ganhou contornos ainda mais graves com a suposta interferência política em órgãos de controle da República. Segundo o parlamentar, há informações de que o atual presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e o ex-presidente da Casa, Arthur Lira, estariam pressionando setores do Tribunal de Contas da União (TCU) para tentar reverter a liquidação extrajudicial do banco.
Durante a entrevista, Renan Calheiros afirmou que o Senado vai requisitar todas as informações relacionadas aos procedimentos abertos no Banco Central sobre o Banco Master. O objetivo, segundo ele, é esclarecer não apenas as razões que levaram à liquidação da instituição financeira, mas também eventuais tentativas de interferência política para desfazer a decisão.
“Estou tendo informações de que o atual presidente da Câmara e o ex-presidente da Câmara pressionaram e continuam pressionando o Tribunal de Contas da União, ou pelo menos um setor do Tribunal, para que o tribunal liquide a liquidação”, declarou o senador. Renan classificou a situação como “inacreditável” e lamentou o que chamou de recorrência desse tipo de prática no país.
Questionado pelo entrevistador se a pressão teria relação direta com manifestações recentes do ministro Jhonatan de Jesus no âmbito do processo que analisa a atuação do Banco Central, Renan confirmou o entendimento. “Exatamente. São as informações que eu recebi, não apenas daquele procedimento, mas de vários outros que o Tribunal de Contas da União tornou sigilosos, que têm a mesma origem e a mesma pressão”, afirmou.
Segundo o senador, esses procedimentos sigilosos estariam sendo influenciados por uma articulação política semelhante, sempre atribuída às mesmas lideranças da Câmara dos Deputados. Para Renan Calheiros, a tentativa de reverter a liquidação do Banco Master representa uma afronta à atuação dos órgãos de fiscalização e controle.
A liquidação extrajudicial do Banco Master foi determinada pelo Banco Central após a constatação de grave crise de liquidez, comprometimento da situação econômico-financeira e violação de normas do Sistema Financeiro Nacional. O caso passou a ser analisado também pelo TCU após questionamentos levantados pelo Ministério Público junto à Corte de Contas.
As declarações de Renan Calheiros ampliam a tensão política em torno do escândalo e reforçam a cobrança por transparência nas investigações. O episódio envolve não apenas o sistema financeiro, mas também o funcionamento das instituições de controle e os limites da atuação política sobre decisões técnicas.
Até o momento, nem Hugo Motta nem Arthur Lira se pronunciaram publicamente sobre as acusações feitas pelo senador. O Tribunal de Contas da União e o Banco Central também não comentaram as declarações.