BASTIDORES DO PODER EM ALAGOAS

Coluna de Lauro Jardim, de o Globo, revela encontro reservado entre Renan e JHC e expõe disputa pela sucessão estadual

Sucessão ao Governo de Alagoas, acordo com Lula e investigação sobre R$ 97 milhões dominaram a conversa entre adversários históricos

Por Redação Publicado em 20/01/2026 às 14:12
Renan e JHC: conversa de bastidores revelada por colunista de O Globo

Uma publicação do colunista Lauro Jardim, em O Globo, trouxe à tona os bastidores mais sensíveis da política alagoana neste início de ano. Segundo o texto, o senador Renan Calheiros e o prefeito de Maceió, JHC, adversários históricos, tiveram um encontro reservado que durou mais de sete horas, na Barra de São Miguel, tradicional balneário do litoral sul do estado.

O cenário foi uma residência no condomínio Arquipélago do Sol. Entre rodadas de pizza e conversas prolongadas, o senador teria reiterado cobranças já feitas ao prefeito: o cumprimento de um acordo político firmado com o governo Lula para facilitar o caminho de Renan Filho à sucessão estadual de 2026 — sem concorrência direta.

A sucessão no centro da conversa


De acordo com a coluna, Renan Calheiros deixou claro que espera de JHC um recuo explícito da intenção de disputar o Governo de Alagoas. A estratégia, conforme relatado, seria pavimentar uma candidatura única, com o apoio do Planalto, evitando uma disputa interna que fragilizaria o campo governista no estado.

O encontro reforça a leitura de que a eleição de 2026 já começou nos bastidores, muito antes do calendário oficial. E, como é típico da política alagoana, os movimentos decisivos acontecem longe dos holofotes, em conversas reservadas e prolongadas.

Banco Master entra no tabuleiro


Outro ponto sensível revelado por Lauro Jardim envolve o escândalo do Banco Master. Segundo a publicação, Renan teria lembrado a JHC que a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado pode investigar os cerca de R$ 97 milhões aplicados pelo Instituto de Previdência dos Servidores de Maceió em letras financeiras do banco — papéis sem garantia, hoje sob forte escrutínio.

A mensagem teria sido direta: insistir numa candidatura contra Renan Filho pode trazer consequências políticas e institucionais, inclusive com o aprofundamento das investigações sobre a aplicação dos recursos previdenciários. O tema, que já causa desgaste à gestão municipal, surge como um fator de pressão adicional no xadrez da sucessão.

Silêncio público, ruído nos bastidores


Nem Renan Calheiros nem JHC comentaram publicamente o encontro. O silêncio, porém, contrasta com o barulho provocado pela revelação da conversa e pelo conteúdo sensível tratado à mesa. A publicação de Lauro Jardim escancara que, em Alagoas, alianças e disputas são frequentemente decididas em ambientes privados — e que a sucessão estadual passa, inevitavelmente, por acordos de alto risco político.

Enquanto o eleitorado ainda observa à distância, os principais atores já se movem com intensidade. A pergunta que fica é se o acordo será cumprido ou se a disputa vai, de fato, às urnas — com todos os desdobramentos que isso pode provocar no cenário político e institucional do estado.