Zambelli enfrenta audiência na Itália sobre extradição e manifesta desejo de permanecer no país
Ex-deputada federal teve julgamento adiado três vezes e aguarda decisão da Corte de Apelação de Roma sobre retorno ao Brasil.
A Corte de Apelação de Roma, na Itália, pode decidir nesta terça-feira, 20, se a ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) será extraditada para o Brasil. O julgamento ocorre após três adiamentos no ano passado. Segundo o advogado Fábio Pagnozzi, que representa Zambelli, a audiência está em andamento neste momento.
De acordo com a defesa, Zambelli expressou preferência por permanecer sob custódia na Itália, caso a Justiça italiana entenda que há correspondência entre os crimes pelos quais foi condenada no Brasil e o ordenamento jurídico local.
Conforme apuração do Estadão, Zambelli renunciou ao mandato de deputada federal em 14 de dezembro do ano passado para tentar obter autorização para deixar a prisão e, em liberdade, buscar a reversão do pedido de extradição ao Brasil. A renúncia, somada ao fato de a Câmara dos Deputados ter rejeitado a cassação de seu mandato, reforçaria a tese de perseguição política, segundo sua defesa.
Na audiência desta terça-feira, os magistrados italianos ouvirão os argumentos da defesa e analisarão a documentação enviada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, à Justiça italiana. Caso a extradição seja autorizada, Zambelli deverá cumprir pena na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.
A audiência foi inicialmente marcada para 4 de dezembro e, posteriormente, remarcada para o dia 18 do mesmo mês, mas acabou adiada. Antes disso, a sessão estava prevista para novembro e também foi postergada devido a uma greve do Judiciário italiano.
Parecer favorável
O Ministério Público da Itália emitiu, em outubro, parecer favorável à extradição de Zambelli, condenada pelo Supremo Tribunal Federal. A ex-deputada deixou o Brasil pouco depois de o STF decretar sua prisão, em junho.
Zambelli foi condenada duas vezes pela Corte. Na primeira ação, recebeu pena de dez anos de prisão por invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica, em conluio com o hacker Walter Delgatti Neto. Segundo Delgatti, ele foi contratado por Zambelli para inserir documentos falsos no sistema do CNJ, incluindo um mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.
Após essa condenação, Zambelli deixou o país e foi presa na Itália, em uma ação conjunta da Polícia Federal brasileira com as autoridades italianas.
Na segunda condenação, o STF impôs pena de cinco anos e três meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, com perda do mandato após o trânsito em julgado.