PF quebra sigilo bancário e fiscal de 101 investigados no caso Banco Master
Decisão do ministro Toffoli também determina bloqueio de bens de 38 pessoas, incluindo o dono do banco e seu cunhado, em operação que apura crimes financeiros e movimentações suspeitas.
A Polícia Federal (PF) obteve autorização para quebrar os sigilos bancário e fiscal de 101 pessoas e entidades investigadas no caso do Banco Master. A medida foi concedida em 6 de janeiro pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e teve o sigilo levantado nesta sexta-feira, 16.
As quebras de sigilo abrangem movimentações realizadas entre os dias 20 e 21 de outubro de 2025. O pedido foi feito pela PF com o aval da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Segundo a decisão, as investigações apontam indícios de crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, indução de investidores ao erro, uso de informação privilegiada, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.
"Também verifico que, na linha do que consignado pelo Procurador-Geral da República e pela Polícia Federal, há elementos suficientes que apontam para o 'aproveitamento sistemático de vulnerabilidades do mercado de capitais e do sistema de regulação e fiscalização, notadamente mediante o uso de fundos de investimento e intrincada rede de entidades conectadas entre si por vínculos societários, familiares ou funcionais'", destacou Toffoli em sua decisão.
O ministro afirmou ainda que o procurador-geral da República agiu corretamente ao solicitar o envio do caso ao Supremo, ressaltando que as investigações conduzidas na 8ª Vara Federal Criminal de São Paulo têm escopo mais amplo do que as da Operação Compliance Zero.
Na mesma decisão, Toffoli determinou o sequestro e bloqueio de bens de 38 investigados, com valores que podem chegar a R$ 5,77 bilhões. Essas medidas integram a segunda fase da Operação Compliance Zero. Entre os alvos estão o proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, e seu cunhado, o pastor e empresário Fabiano Zettel.
Conforme revelado pelo Estadão, Zettel é dono dos fundos de investimento da Reag Investimentos que adquiriram parte da participação dos irmãos de Toffoli no resort Tayayá, localizado no interior do Paraná. Na época, essa participação era avaliada em R$ 6,6 milhões.
Documentos financeiros de um fundo chamado Leal indicam que Zettel foi seu único cotista entre 2021 e 2025. Por meio deste e de outro fundo, o pastor tornou-se sócio do resort Tayayá, investindo R$ 20 milhões no empreendimento. Os familiares de Toffoli eram os principais acionistas do resort.
Procurados, o ministro Dias Toffoli, seus irmãos José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, a administração do resort e a Reag Investimentos não se manifestaram. O ministro não possui participação direta no Tayayá, mas frequenta o local.
Ao Estadão, Zettel, cunhado de Vorcaro, confirmou ter sido cotista do fundo, afirmando que deixou o investimento em 2022 e que este foi liquidado em 2025. A defesa de Daniel Vorcaro declarou não ter "qualquer conhecimento a respeito dos negócios dos referidos fundos". Mario Umberto Degani, primo do ministro e controlador das empresas que receberam o aporte, não foi localizado.