Vladimir Barros

Jornalista filiado ao Sindjornal/FENAJ, é membro efetivo da Associação Alagoana de Imprensa (AAI) e editor do jornal Tribuna do Sertão. Advogado militante, formado pela Universidade Federal de Alagoas, com pós-graduação em Direito Processual e Docência Superior. É também membro da Academia Palmeirense de Letras e fundador da Rádio Cacique FM de Palmeira dos Índios.

Vladimir Barros

A propósito de texto de Ricardo Mota: opinião é uma coisa, análise política é outra

Publicado em 04/09/2026 às 10:48
Imagem gerada por IA

A comparação feita pelo jornalista Ricardo Mota entre João Lyra, derrotado pelo tucano Teotonio Vilela em 2006,e o atual cenário eleitoral do ex-ministro Renan Filho parece muito mais uma opinião pessoal do que uma análise sustentada pelas trajetórias dos dois personagens.

João Lyra entrou naquela disputa como um empresário bilionário, cercado de prefeitos e deputados comprados regiamente pelos recursos de suas empresas e tentando chegar pela primeira vez ao comando do Executivo estadual. Nunca havia sido eleito para um cargo executivo. Nem prefeito conseguiu ser.

Renan Filho é exatamente o contrário. Foi prefeito, governador por duas vezes, deputado federal e hoje é senador. Foi reeleito governador em 2018 com 77,3% dos votos válidos, uma das maiores votações da história política recente de Alagoas.

Portanto, comparar João Lyra a Renan Filho é, jornalisticamente uma heresia. Um buscava transformar poder econômico e uma enorme estrutura de apoios em poder político; o outro já foi testado repetidamente nas urnas e construiu uma relação própria com o eleitorado.

Também merece reparo a ideia de que JHC estaria em outro patamar por possuir “comunicação direta com o eleitorado”. Rede social não é sinônimo de voto nem, necessariamente, de engajamento. Levantamento já publicado pela Tribuna do Sertão, com dados do Social Blade, mostrou justamente fragilidades no engajamento das redes de JHC, apesar do número de seguidores.

Paulo Dantas tem feito seu papel na construção das alianças de Renan Filho, mas concluir daí que o senador caminha para repetir João Lyra é um salto que os fatos não autorizam.

Ricardo Mota tem todo o direito de criticar Renan e defender que ele participe pessoalmente das articulações com prefeitos e parlamentares. O que não cabe é transformar preferência ou conhecido ranço pessoal em diagnóstico político.

Opinião é legítima. O que não se pode é deixar que preferências ou antipatias pessoais sejam apresentadas ao leitor como diagnóstico incontestável da política. Os fatos continuam sendo o melhor antídoto para isso.

E, com licença ao grande Ibrahim Sued: ademã, que a gente vai em frente.