Pedro Oliveira

Escritor e jornalista com vasta experiência em análise política. Autor dos livros “Arquivo Aberto/Crônica de um Brasil Corrupto”, “Brasil 2006 A História das Eleições” / “Manual Prático de Licitações e Contratos” “Resumo Político - Crônicas, histórias e os bastidores da política brasileira”. Articulista político da Tribuna do Sertão, Jornal Extra e Blog Resumo Político. Pós graduado em Ciências Políticas pela UnB, Presidente do Instituto Cidadão e Membro Coordenador do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE). Atuou no Diário de São Paulo, Revista NÓS ( SP), Diários Associados ( Jornal de Alagoas), Jornal de Hoje. Fundador do Jornal Opinião e do Correio de Alagoas, este junto com o jornalista Pedro Collor de Mello.

Pedro Oliveira

É preciso ter cuidado

Publicado em 12/08/2026 às 08:00
O governador de Alagoas, Paulo Dantas Reprodução / Instagram

A situação política no Agreste e no Sertão de Alagoas começa a despertar preocupação. A campanha ainda está entrando em sua fase decisiva, mas os ataques entre adversários já subiram de tom e ultrapassam, em alguns momentos, os limites do debate democrático. Há municípios onde disputas eleitorais continuam misturadas a antigas rivalidades familiares, interesses econômicos e grupos acostumados a exercer o poder pela intimidação. É o chamado coronelismo caboclo, que muitos imaginavam superado, mas que ainda demonstra força em determinadas regiões.

O cenário se torna mais delicado porque o governador Paulo Dantas está no centro da articulação política governista e participa diretamente dos confrontos com seus adversários. Sua influência no Agreste e no Sertão, regiões onde construiu parte importante de sua trajetória, transforma cada embate em uma disputa de grande repercussão estadual.

A troca recente de acusações e ataques entre os principais grupos políticos confirma que a campanha tende a ser dura. O próprio Tribunal Regional Eleitoral já intensificou sua atuação sobre conteúdos publicados nas redes sociais e adotou medidas para preservar provas digitais, demonstrando preocupação com os excessos desta eleição.

É necessário que o governador, os candidatos e seus aliados reduzam o tom. Lideranças públicas têm responsabilidade sobre as palavras que utilizam e sobre as reações que podem provocar entre seguidores mais exaltados.
Alagoas conhece muito bem as consequências da violência política. Não pode permitir que antigas práticas retornem disfarçadas de paixão eleitoral.

A disputa deve ser travada nas urnas, nas propostas e no debate público. Quando ameaças, intimidações e demonstrações de força entram em cena, quem perde não é apenas um candidato. Perde a democracia