Aquiles Reis
Aquiles Rique Reis (Niterói, 22/05/1948) começou cantando em coral e igreja. Aos 15 anos, trocou o rock pela música brasileira após se encantar com João Gilberto. No CPC, formou o Trio do CPC e participou de movimentos culturais. Em 1964, fundou o MPB-4, que ganhou projeção no Fino da Bossa (TV Record) e entrou na Gravadora Elenco por convite de Aloysio de Oliveira. Foi presidente do Sindicato dos Músicos do Rio até 1984 e militou contra a Ditadura.As noventa vidas do Poeta
Hoje é dia de festa! Trataremos de Hermínio Bello de Carvalho 90 (Biscoito Fino), álbum que está comemorando os noventa anos de vida de um Poeta maior, com P maiúsculo. Generoso, Hermínio é um descobridor de amigos, mantendo todos sempre junto a si, num gigantesco abraço.
Com oito composições escritas com seus parceiros de fé, o CD permitiu ao Poeta expressar a volúpia de sua pena diversa, sempre atiçada pela criatividade. Numa seleção tão circular quanto a sua trajetória que não se repete, a música de Hermínio flui como as noites sucedem os dias. Vamos ao trabalho.
“De Nada Valeu” (Simone e Hermínio Bello de Carvalho) é cantada docemente por Simone. O acordeom soa igualmente delicado, e os versos do poeta ardem o amor em fogo brando, afastando-o do coração: “Se nada valeu a pena/ Do que se amou/ Se não basta ao coração/ O preço que ele pagou/ Ou não foi suficiente/ Crucificar todo o corpo (...)”. “Carrapicho” (Frejat e Hermínio Bello de Carvalho): o ritmo acentua a melodia. O violino flui ao sabor da percussão, enquanto Frejat empresta sua voz marcante aos versos do Poeta que açulam a paixão. “Igual ao Que Não Foi” / “Catando Estrelas” (Hermínio Bello de Carvalho e Vital Lima): Vidal inicia o canto com o seu violão, mas logo a gigantesca Áurea Martins, com seu timbre inigualável, cintila como os versos do Poeta. “Las Hormigas” (poema de Hermínio Bello de Carvalho): o Poeta declama os versos que são o que de fato ele é, um senhor da palavra: “Eu não acabo aqui, mas ali adiante/ Além das fronteiras onde os muros não têm cercas de arame farpado (...)”. “Cabernet Sauvignon” (Vidal Assis e Hermínio Bello de Carvalho): quem canta, acompanhado pelo violão de João Camarero, é o ótimo Ayrton Montarroyos. E assim, tudo que o Poeta representa encanta o ouvinte. “Jogo Empatado” (Kiko Horta, Vidal Assis e Hermínio Bello de Carvalho) é samba de responsa que rola pela voz de Gabi Buarque: “Venha ao seu jeito/ Ou como bem lhe aprouver/ Mas, por favor, não me apoquente/ Pois assim não vai dar pé (...)”. “Dia Sim, Dia Não (Gabriel Lemuriano e Hermínio Bello de Carvalho): Simone canta, o Poeta proclama. O acordeom se dá a ela – uma das maiores cantoras que temos! “Como Se Faz? (Vidal Assis e Hermínio Bello de Carvalho) fecha a tampa. O duo Simone e Vidal Assis traz o samba: “(...) quando é que se faz?/ A vida é que manda os sinais/ Como a ruga nas mãos/ E os cabelos brancos/ Como os trovões e os raios/ Rompendo os novelos do céu (...).
Hermínio querido, te admiro!
Aquiles Rique Reis
Nossos protetores nunca desistem de nós.
Ficha técnica: Idealização e seleção de repertório: Hermínio Bello de Carvalho; produção musical: Vidal Assis; coordenação de produção: Olhar Brasileiro; produção executiva: Luiz Boal e Vidal Assis; capa: Mello Menezes; mixagem e masterização: Lucas Ariel (com exceção da faixa “Carrapicho”, mixada por Frejat e Renato Muñoz).
Ouça o CD: