Aquiles Reis

Aquiles Rique Reis (Niterói, 22/05/1948) começou cantando em coral e igreja. Aos 15 anos, trocou o rock pela música brasileira após se encantar com João Gilberto. No CPC, formou o Trio do CPC e participou de movimentos culturais. Em 1964, fundou o MPB-4, que ganhou projeção no Fino da Bossa (TV Record) e entrou na Gravadora Elenco por convite de Aloysio de Oliveira. Foi presidente do Sindicato dos Músicos do Rio até 1984 e militou contra a Ditadura.

Aquiles Reis

A cara do Brasil

Publicado em 04/08/2026 às 18:18
“Ogum de Ronda”

Hoje trataremos do Duo Orimã, que lança o terceiro e último single de uma trilogia musical dedicada à ancestralidade afro-brasileira. Iniciado em abril e agora concluído, o trabalho merece ser ouvido em todo o seu esplendor histórico/musical.

O Orimã é integrado por Lu Starzynski e Nando Altenfelder, pesquisadores da música brasileira que, através das vozes e da percussão, unem suas trajetórias as do baixista, produtor e engenheiro de som Renato Cortez para buscar a sonoridade baseada em seus saberes confirmar a concepção original.

Ouvir “Ogum de Ronda”, impregnada pelas raízes do samba de roda e do ijexá; “Zumbi Bará” e “Dio Zambi”, duas músicas que, ajuntadas, marcaram o duo, que as percebem em rara sintonia; e “Sou Yabá”, com a levada mágica de samba-reggae, é como dar um mergulho profundo na alma mística do povo brasileiro. A força das vozes, somadas ao som ritualístico dos tambores, surpreende ao também se valer, eventualmente, do som de sintetizadores e do contrabaixo – energia total.

Ao gravar essas três composições que refletem o vigor dos orixás, a ancestralidade dos Pretos Velhos e o tributo à potência feminina das Yabás, a trilogia faz uma formidável viagem pelo Brasil de todos os deuses, de todas as crenças: a cara do Brasil sincrético.

Unindo ancestralidade à contemporaneidade, a memória vem à tona e revela o que somos, de onde viemos e o que queremos. A espiritualidade aflora, agregando ousadia às raízes que nos representam.

Dessa forma, tal alcance musical também induz à reflexão, aquela que, graças ao passado que ajuda a enxergar o futuro, demonstra quem somos e do que precisamos: respeito ao Estado Democrático de Direito, um Brasil soberano, com liberdade de crença e respeito às minorias, sem violência contra as mulheres, sem fome, sem miséria e sem guerras imperialistas.

Aquiles Rique Reis

Nossos protetores nunca desistem de nós.


Ouça as faixas e veja as fichas técnicas:

1º) “Ogum de Ronda” (Roque Ferreira e Paulo César Pinheiro)



Arranjo: Duo Orimã; voz: Lu Starz; vozes (introdução): Leandro Perez, Lu Starz e Nando Altenfelder; teclado: Lu Starz; percussão: Nando Altenfelder e Leandro Perez; sons sintetizados: Nando Altenfelder; contrabaixo elétrico: Renato Cortez; mixagem e masterização: Renato Cortez; foto: Rogério Cavalcanti; arte da capa: Lari Lima.

2º) “Zumbi Bará” e “Dio Zambi” (Rafael Alterio, Celso Viáfora e Paulo César Pinheiro)



Arranjo Duo Orimã; voz: Lu Starzynski; percussão e voz: Nando Altenfelder; mixagem e masterização: Renato Cortez; foto: Rogério Cavalcanti; arte da capa: Lari Lima

3º) “Sou Yabá” (Luiza Lian)


Arranjo: Lu Starzynski e Nando Altenfelder; voz e teclado: Lu Starzynski; percussão Nando Altenfelder; baixo elétrico: Renato Cortez; mixagem e masterização: Renato Cortez; foto: Rogério Cavalcanti; arte da capa: Lari Lima.