Aquiles Reis
Aquiles Rique Reis (Niterói, 22/05/1948) começou cantando em coral e igreja. Aos 15 anos, trocou o rock pela música brasileira após se encantar com João Gilberto. No CPC, formou o Trio do CPC e participou de movimentos culturais. Em 1964, fundou o MPB-4, que ganhou projeção no Fino da Bossa (TV Record) e entrou na Gravadora Elenco por convite de Aloysio de Oliveira. Foi presidente do Sindicato dos Músicos do Rio até 1984 e militou contra a Ditadura.A vocalização extraordinária do Ordinarius
Eu me lembro que em 2023 escrevi sobre o álbum Nós do sexteto vocal Ordinarius, que então comemorava quinze anos de carreira. Na ocasião, imaginei o canto coral como a forma mais perfeita de ouvir música, gente cantando junto, as vozes abertas em harmonia, harmônicos e que tais – tudo de acordo com a frase atribuída a Heitor Villa-Lobos: o canto coral é a melhor maneira de praticar a democracia! Viva o cantar junto!
Pois bem, depois disso, em 2025, o Ordinarius gravou a primeira parte do projeto Brasuca, o EP Lado A* e agora lança o EP Brasuca – Lado B.** Uma mais do que merecida e democrática homenagem aos compositores brasileiros. Viva eles!
Vamos às seis do Lado B.
“O Trem, o Tempo, o Menino” (Renato Frazão): acompanhado por leve instrumentação, um solo de voz feminina precede a vocalização. Logo rola um solo masculino sobre as vozes. A batera delicada embala o sentimento do cancioneiro mineiro.
“Do Contra” (Iso Fischer e Lucina): o ijexá vem com o cowbell marcando o tempo. A batera segura as pontas. Agora arritmo, marcado na palma das mãos, o vocal prossegue e incendeia.
“Caminheiro” (Beto Lemos): a intro do maracatu entra com vocalises femininos, enquanto os homens seguram os graves. Afinados que só eles, tudo flui, tudo é bonito: um solo feminino e voltam os vocalises.
“Mão de Couro” (Joãozinho Gomes e Val Milhomem): o marabaixo amapaense soa firme. O coro come solto. Solos masculinos se sucedem. As mãos sacodem os couros do tambor: “E adeus, brincadeira, eu vou, eu vou/ Vou batendo o meu tambor, tum, tum, tum…”. Meu Deus, o refrão é contagiante!
“Sempre Tem Céu Azul (Matheus VK): a delicadeza afinada de uma voz feminina traz a linda canção. O ritmo, mais uma vez marcado pelo cowbell, carrega o suingue, enquanto o vocal cumpre seu papel com fervor.
“Num Ciúme Só (Vidal Assis e Hermínio Bello de Carvalho): o vocal aberto traz o samba. O Ordinarius dá o seu entendimento pro balanço com a palma das mãos. E os tambores consagram os versos do poeta para o samba de roda: “Minha flor de alfazema tá num ciúme só/ Que hoje é domingo, mas eu fui sozinho pra feira do Cafundó”. Salve Hermínio!
Ouvi-los cantar é exercer o direito à beleza. Suas vozes se entrelaçam, tecendo um rico ambiente sonoro. Acalentando ouvidos carentes de harmonias, sem clichês e plenas de inusitadas soluções melódicas e rítmicas, tudo voa ao sabor do talento do Ordinarius.
Aquiles Rique Reis
Nossos protetores nunca desistem de nós.
Ficha técnica: Ordinarius é Antonia Medeiros, Augusto Ordine, Beatriz Coimbra, Fabiano Salek, Maíra Martins e Matias Correa. Arranjos e direção musical: Augusto Ordine; produção: Maíra Martins; mixagem: Matias Correa e David Brinkworth; masterização: David Brinkworth; capa: Daniel Gnattali.
Brasuca – Lado B**:
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Brasuca – Lado A*:
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