Aquiles Reis

Aquiles Rique Reis (Niterói, 22/05/1948) começou cantando em coral e igreja. Aos 15 anos, trocou o rock pela música brasileira após se encantar com João Gilberto. No CPC, formou o Trio do CPC e participou de movimentos culturais. Em 1964, fundou o MPB-4, que ganhou projeção no Fino da Bossa (TV Record) e entrou na Gravadora Elenco por convite de Aloysio de Oliveira. Foi presidente do Sindicato dos Músicos do Rio até 1984 e militou contra a Ditadura.

Aquiles Reis

Um álbum conceitual de rara beleza

Publicado em 21/04/2026 às 13:22

Das entranhas da terra, nascem florestas e rios, pisam na terra seus filhos e filhas. Aos caminhos que se abrem, por onde passa a minha voz, ela por mim viaja. Voz que fala e voz que canta, minha voz derrama e canta: vai, vai! As margens de ser a imagem que foi outrora. Parece com seus olhos de mãe a me aleitar, menina dos meus sonhos, Jacira a me ninar. Voar, voei nessa canoa voadeira. A vida que passa em mim vai ficar. Navega o rio canoeiro, navega estrela do mar, navega a foz do rio, navega o barco, boieiro, navega a estrela do mar. Canta o teu canto em vozes e prantos, enfim é tudo mar.

  Cantando esses versos que gravou em Canto Para os Rios (álbum independente nascido de um cuidadoso trabalho ajuntado em suas viagens à região Norte), alguns aqui selecionados aleatoriamente por mim, Tarita de Souza seduz. Convicta da força de vozes que se somam, ela ajuntou-se a outros cantares. O que compõe e canta resulta em pura prosa, verso e atitude!

Cantora, compositora, regente, educadora musical e artista visual, com licenciatura, mestrado e doutorado em música pela Universidade de São Paulo (USP), a musicista dedicou-se à conclusão do álbum com pesquisa de campo, imersão nos rios, contato com manifestações culturais locais e estudos sobre o ciclo das águas.

A dicotomia entre as culturas das regiões Norte e Sudeste determinou a abordagem do tema ao qual se propôs desenvolver. Um motivo definiu a escolha: a discrepância entre as raízes cotidianas e urbanas do Sudeste e a tradição da Amazônia, com sua intensa relação com os rios e a natureza.

Em Canto Para os Rios, o cantar de Tarita de Souza vem democraticamente ampliado pelas vozes de diversos solistas e do Quarteto Calêndula. Alinhavando a ideia original, arranjos certeiros caem como gotas de mel silvestre sobre o álbum, transformando-o em algo ainda mais afetuoso e precursor.

Tudo para que sua voz calorosa, firme em ajustada respiração, resulte numa afinação que vai às notas com a precisão de um raio de luz.

Aquiles Rique Reis

Nossos protetores nunca desistem de nós.

PS. A experiência do álbum se expande para além do áudio: o lançamento de um filme dirigido pelo cineasta Luan Cardoso.

Ficha técnica: Produções musical e executiva, e arranjos: Dante Ozzetti e Tarita de Souza. Compositores: Tarita de Souza, Joãozinho Gomes, Allan Carvalho e Ronaldo Silva. Capa e fotos: Tereza Maciel e Tarita de Souza. Assistente de fotografia: Silvia Ló. Encarte: Daniel Conti. Instrumentistas: voz e piano: Tarita de Souza; violões (Dante Ozzetti); Luca Raele (clarinete); Neymar Dias (baixos elétrico e acústico), Maiara Moraes (flautas), Thais Nicodemo e Erika Ribeiro: (piano), Kabé Pinheiro (percussão), Rodrigo Bragança (guitarras e efeitos); solistas: Patrícia Bastos, Nayara Guedes, Carlos Franco. Quarteto Calêndula: Bárbara Blasques, Veronica Rosa, Luan Augusto e Felipe Panelli.

Ouça o álbum:

https://youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_mNVxzaJX6CJ85EQUl8MfmuERMOg8I8Wh0&si=8Uymj_A3gapnmPdl