VIOLÊNCIA

Número de mortos sobe para 9 em ataques de gangues contra a polícia guatemalteca, enquanto o estado de emergência é declarado

Por SONIA PÉREZ D. Associated Press Publicado em 19/01/2026 às 14:11
O velório dos policiais mortos durante a retomada do controle de três prisões foi realizado no Ministério do Interior, na Cidade da Guatemala, na segunda-feira, 19 de janeiro de 2026. AP/Moises Castillo

CIDADE DA GUATEMALA (AP) — O número de mortos em ataques de supostos membros de gangues contra policiais guatemaltecos subiu para nove nesta segunda-feira, enquanto os guatemaltecos acordavam sob forte esquema de segurança e com direitos restringidos após o presidente Bernardo Arévalo declarar estado de emergência.

A violência começou no sábado, quando detentos tomaram o controle de três prisões em rebeliões aparentemente coordenadas, fazendo 43 guardas reféns. As gangues exigiam privilégios para seus membros e líderes, segundo as autoridades. Pouco depois da polícia libertar uma das prisões na manhã de domingo, suspeitos de pertencerem a gangues atacaram policiais em toda a capital.

O velório dos policiais mortos durante a retomada do controle de três prisões foi realizado no Ministério do Interior, na Cidade da Guatemala, na segunda-feira, 19 de janeiro de 2026. (Foto AP/Moises Castillo)

Na segunda-feira, o diretor da Polícia Civil Nacional, David Custodio Boteo, afirmou que um nono policial havia falecido na madrugada de segunda-feira em decorrência dos ferimentos, acrescentando que “há vários feridos em estado crítico... Alguns também sofreram amputações”.

A polícia homenageou os agentes falecidos em uma cerimônia na segunda-feira, onde caixões cobertos com a bandeira americana foram colocados no Ministério do Interior.

“Hoje, dói-me entregar a cada uma das famílias esta bandeira, símbolo de uma nação que não esquecerá o sacrifício e o compromisso dos seus policiais que tombaram no cumprimento do dever”, disse Arévalo nesta segunda-feira.

O velório dos policiais mortos durante a retomada do controle de três prisões foi realizado no Ministério do Interior, na Cidade da Guatemala, na segunda-feira, 19 de janeiro de 2026. (Foto AP/Moises Castillo)

Entretanto, o Diário Oficial publicou na segunda-feira a declaração de Arévalo de estado de emergência por 30 dias, afirmando que houve “ações coordenadas de grupos autodenominados maras ou gangues contra as forças de segurança do Estado, incluindo ataques armados contra autoridades civis”.

Entre os direitos que a declaração limita estão a liberdade de ação, de manifestação e o porte de armas. Ela também permite que a polícia prenda pessoas sem justa causa e que as forças de segurança proíbam a circulação de veículos em determinados locais ou os submetam a buscas.

O estado de emergência requer aprovação do Congresso e esperava-se que os legisladores votassem na segunda-feira. No entanto, entrou em vigor no domingo.

A Embaixada dos EUA na Guatemala havia instruído os funcionários do governo americano a permanecerem em seus locais de trabalho no domingo. A ordem foi suspensa ainda no mesmo dia, mas eles foram “aconselhados a manter um alto nível de cautela ao viajar”.

Forças de segurança entram na prisão Preventivo Zona 18 para libertar guardas feitos reféns e retomar o controle da instalação na Cidade da Guatemala, domingo, 18 de janeiro de 2026. (Foto AP/Emmanuel Andres)

Em outubro, o Congresso reformou as leis para declarar os membros das gangues Barrio 18 e Mara Salvatrucha como terroristas. As mudanças aumentaram as penas de prisão para membros de gangues que cometem crimes.

O governo dos Estados Unidos também declarou essas gangues como organizações terroristas estrangeiras no ano passado.

Como medida de segurança, as aulas foram suspensas em todo o país na segunda-feira.

Marcadores de evidência se encontraram na cena onde agentes de polícia foram assassinados em ataques relatados depois que as forças de segurança retomaram o controle de uma prisão que abrigava líderes de pandillas, em Villanueva, nas periferias da Cidade da Guatemala, no domingo 18 de janeiro de 2026. (AP Foto/Moisés Castelo)