JUSTIÇA

Após 15 anos, Amanda Knox retorna a tribunal onde foi absolvida por morte de britânica

Norte-americana publicou foto em Perugia anos após o assassinato de Meredith Kercher

Por Redação ANSA Publicado em 07/10/2026 às 16:00
Amanda Knox publicou foto nas redes sociais ANSA

Quinze anos após ser absolvida em segunda instância pela morte da estudante britânica Meredith Kercher, a norte-americana Amanda Knox voltou a recordar o controverso caso que a transformou em um dos nomes mais conhecidos do sistema judicial italiano.

Nesta quarta-feira (7), Knox publicou no X uma foto em frente ao tribunal de Perugia, na região da Úmbria, onde foram realizados os julgamentos relacionados ao assassinato.

Na publicação, a escritora e comediante de stand-up, de 39 anos, relembrou o período em que esteve presa e condenada pelo crime.

Também visitei o tribunal onde fui sentenciada a 26 anos e onde multidões de moradores locais gritaram 'Vergonha' quando fui absolvida. E caminhei por Veneza, Milão e Roma de cabeça erguida, escreveu ela.

Knox também compartilhou uma fotografia ao lado de dom Saulo, que atuava como capelão da prisão de Perugia durante os anos em que ela esteve encarcerada. O padre que segurou minha mão durante aqueles anos em que minha família não pôde, afirmou.

Meredith Kercher, uma estudante britânica de 21 anos que estava em Perugia durante um intercâmbio, foi assassinada em novembro de 2007. Knox, que dividia a casa com ela, e seu então namorado, o italiano Raffaele Sollecito, foram acusados de cometer o crime.

Em 2009, Knox foi condenada a 26 anos de prisão. Dois anos depois, em 2011, a condenação foi anulada em um julgamento de apelação, e ela foi libertada, retornando aos Estados Unidos.

A absolvição, porém, não encerrou o processo. Em 2013, a Suprema Corte italiana anulou a decisão de apelação e determinou um novo julgamento. No ano seguinte, um tribunal de apelações em Florença voltou a condenar Knox pelo assassinato.

Em 2015, a Suprema Corte de Cassação da Itália absolveu definitivamente Knox e Sollecito, encerrando a longa batalha judicial.

O marfinense Rudy Guede foi condenado separadamente pelo assassinato de Kercher e é a única pessoa cuja condenação pelo crime permanece definitiva. Ele foi libertado da prisão em novembro de 2021, depois de cumprir 13 anos de uma pena de 16 anos.

Desde o fim do processo, Knox construiu uma carreira como escritora e comediante. Em 2026, ela anunciou o espetáculo "Cartwheel", apresentado no Festival Fringe de Edimburgo, na Escócia, no qual aborda os acontecimentos que marcaram sua vida em Perugia.

O título faz referência a uma história divulgada durante a investigação, segundo a qual Knox teria dado cambalhotas em uma delegacia após a morte de Kercher.

A decisão de transformar o caso em material para um espetáculo provocou críticas na Itália. Francesco Maresca, advogado que representa a família de Kercher, classificou o programa como "uma ofensa deplorável à memória de Meredith" e afirmou ter perdido a esperança de que Knox compreendesse o impacto do caso sobre os familiares da vítima.

Knox, por sua vez, afirmou que Meredith provavelmente teria apreciado o espetáculo por considerá-lo inteligente e sofisticado.

Segundo ela, o objetivo da apresentação é satirizar a maneira como foi retratada e difamada durante o caso, e não fazer piada com o assassinato da estudante.

A norte-americana também já criticou a libertação antecipada de Guede. Em novembro do ano passado, ele, então com 39 anos, foi indiciado por acusações de abuso sexual contra uma ex-namorada.