Entenda a proposta de referendo contra restrições à cidadania italiana
Organizadores da iniciativa precisarão coletar 500 mil assinaturas
Aproposta de referendo para revogar restrições nas regras de transmissão da cidadania italiana por direito de sangue foi publicada no Diário Oficial do país, e agora os organizadores precisarão coletar pelo menos 500 mil assinaturas em prol da consulta popular.
A iniciativa é promovida pela entidade Natitaliani (Nascidos Italianos), que defende os direitos de ítalo-descendentes no mundo todo.
Se conseguir coletar o apoio necessário, será submetida ao voto de todos os eleitores italianos.
A proposta foi protocolada na Suprema Corte de Cassação da Itália, em Roma, e não prevê a revogação completa da reforma na cidadania, instituída em março de 2025 por um decreto editado pelo vice-premiê e ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, e convertido em lei dois meses depois.
A medida limitou o acesso à cidadania por direito de sangue (jus sanguinis), permitindo sua transmissão apenas por ascendentes de primeiro ou segundo grau (pais ou avós) que sejam exclusivamente italianos — ou que fossem no momento da morte.
O texto publicado no Diário Oficial mira cancelar a dita retroatividade do decreto, que atinge inclusive os ítalo-descendentes nascidos antes de sua entrada em vigor, desde que eles não tenham iniciado o processo de reconhecimento da cidadania antes da mudança nas regras.
Além disso, o referendo pede a revogação da exigência de que os pais ou avós sejam exclusivamente italianos para transmitir a cidadania a seus descendentes.
Com isso, seriam beneficiados os filhos e netos de italianos com outra cidadania, bem como os ítalo-descendentes que não haviam apresentado o pedido de reconhecimento antes da reforma de março de 2025.
O limite geracional, no entanto, não seria alterado. Em visita a São Paulo na semana passada, Tajani defendeu que a reforma é uma "defesa da italianidade e da seriedade de ser cidadão italiano" e que o passaporte não pode "servir apenas para fazer compras em Miami". "A cidadania italiana é uma coisa séria, ser italiano é uma coisa séria, e todos os italianos que atuam aqui demonstram isso", acrescentou.
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