VATICANO

Papa Leão XIV pede que decisões não sejam delegadas a 'algoritmos'

Pontífice alertou para crescente dependência da inteligência artificial

Por Redação ANSA Publicado em 16/09/2026 às 20:37
Papa Leão XIV celebra audiência geral no Vaticano © ANSA/AFP

papa Leão XIV alertou nesta quarta-feira (16) contra a prática de delegar a algoritmos decisões que deveriam caber somente "à consciência humana", em meio às crescentes preocupações no mundo sobre riscos associados à evolução da inteligência artificial.

"Por um lado, o desenvolvimento tecnológico, a difusão dos meios de comunicação de massa e das redes sociais e o recurso crescente à inteligência artificial abrem novas possibilidades, abatendo barreiras e distâncias", disse o pontífice em sua audiência geral na Praça São Pedro, no Vaticano.

"Por outro, as relações tendem a tornar-se cada vez menos pessoais, mais virtuais, e corremos o risco de nos habituar a delegar aos algoritmos decisões que competem exclusivamente à consciência humana", acrescentou o Papa.

Segundo Leão XIV, é preciso fazer com que "as relações sociais tenham peso real e profundidade". Na mesma catequese, Robert Prevost ressaltou que a diversidade dos povos no mundo "não deve ser considerada um perigo nem uma ameaça", mas sim um "potencial de enriquecimento e crescimento".

"É necessário abrir-se cada vez mais à lógica da reciprocidade, da partilha e do cuidado, como acontece também entre os diferentes membros do corpo humano", salientou.

As preocupações com a IA têm crescido nas últimas semanas, inclusive em empresas do setor, após vários episódios em que modelos de inteligência artificial mostraram capacidade de se aprimorar sem intervenção humana.

O tema foi abordado na primeira encíclica de Leão XIV, a "Magnifica Humanitas" ("Humanidade Magnífica"), em que ele ressalta a importância de "desarmar a IA" para impedir que ela "domine o ser humano".

"A tarefa, hoje, não é apenas ética ou técnica: é ecológica no sentido mais radical, porque envolve uma nova dimensão da nossa casa comum. A IA é o ambiente em que estamos imersos e o poder com que temos de lidar. Por isso, não basta regulá-la: deve ser desarmada e tornada acolhedora", escreveu o pontífice.