'Acordo com Mercosul impulsiona exportações', diz chanceler italiano em Buenos Aires
Ministro Antonio Tajani se reuniu com Javier Milei na Argentina
Lançar as bases para um fortalecimento significativo da cooperação comercial, abrangendo desde matérias-primas até a internacionalização de empresas, impulsionado pelo acordo firmado entre a União Europeia e o Mercosul, e reafirmar o estreito alinhamento entre o governo italiano e a administração de Javier Milei, a ponto de definir o papel da Itália como uma "ponte" entre a Argentina e a Europa.
Esses são os objetivos do vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, que, ao final de seu primeiro dia em Buenos Aires, mostrou-se satisfeito com os resultados da "missão de sistema" que lidera na América Latina, com uma escala prevista para amanhã no Brasil. A iniciativa é organizada pela Confindustria e pela agência ICE.
A relação entre os dois países é excepcionalmente forte — econômica, política e culturalmente — e marcada, acima de tudo, por uma profunda amizade, enraizada em uma história e uma cultura compartilhadas.
"A Itália pretende ser a principal parceira dos países do Mercosul. Já observamos dados iniciais que mostram um forte crescimento das exportações. Naturalmente, exportaremos para a Argentina, mas nossas portas estão abertas a todos os nossos amigos argentinos na Itália: defenderemos sempre os interesses da Argentina na Europa. Não se trata apenas do Oriente Médio; a América Latina também é importante. Pretendemos servir como uma ponte sólida entre a América Latina e a Europa", declarou Tajani durante o fórum bilateral Itália-Argentina para pequenas e médias empresas, principal evento de sua agenda no país.
Aplaudindo-o no salão do Palacio Libertad estavam seu homólogo argentino, Pablo Quirno, e a influente Karina Milei, irmã de Javier e secretária-geral da Presidência, além dos presidentes da Confindustria, Emanuele Orsini, e da agência ICE, Matteo Zoppas, e de altos executivos da SACE e da SIMEST.
Antes do evento empresarial na capital argentina, Tajani manteve uma longa reunião com o presidente Milei na Casa Rosada, reforçando o eixo já muito forte entre Roma e Buenos Aires.
"Disse ao Milei que gosto da maneira como ele está trabalhando. Conversamos por mais de uma hora. Estamos convencidos de que o Estado não deve atuar como empresário, mas sim ajudar as empresas. É isso que Milei está fazendo, e é o que nós também estamos fazendo, começando pela redução da burocracia", afirmou o chanceler.
Tajani destacou que foi uma reunião particularmente cordial entre os dois políticos. A conversa, contudo, inevitavelmente acabou chegando ao futebol.
"Entreguei a Milei a camisa azul da seleção para lembrá-lo de sua ligação com a Itália, afinal, ele possui passaporte italiano. Era a camisa número 1, e ele ficou satisfeito por ser a de goleiro", acrescentou o italiano.
Pouco depois de chegar à capital argentina nesta manhã, Tajani prestou homenagem ao general José de San Martín, herói nacional considerado um dos artífices das independências da Argentina, do Chile e do Peru, depositando uma coroa de flores no monumento dedicado a ele. Mais tarde, almoçou com o ex-craque Roberto Baggio.
A agenda ainda inclui uma visita de Tajani ao estádio do River Plate, o famoso Monumental de Núñez, seguida de um encontro com a próspera comunidade italiana do país. Trata-se da maior comunidade italiana no exterior, composta por mais de um milhão de cidadãos italianos e cerca de 20 milhões de pessoas de ascendência italiana, constituindo um dos pilares da relação entre as duas nações.
O dia terminará no renomado Teatro Colón, com uma apresentação do Teatro di San Carlo, em celebração aos 2,5 mil anos da fundação de Nápoles. Na sequência, será assinado um Acordo-Quadro de Cooperação e Coprodução Internacional entre o San Carlo e o Teatro Colón, que estabelece iniciativas artísticas conjuntas, intercâmbios e projetos de capacitação previstos até 2029, fortalecendo ainda mais os profundos laços culturais entre os dois países, uma questão de grande importância para o vice-premiê.
"Estamos trabalhando para garantir que Riccardo Muti também possa vir a Buenos Aires. O presidente Javier Milei é um entusiasta da ópera e um grande admirador dele", declarou Tajani.