MEIO AMBIENTE

ONU alerta que aquecimento global deve superar 1,5°C nos próximos anos

Organização destacou necessidade de adoção de medidas de mitigação e adaptação

Por ANSA Brasil Publicado em 02/09/2026 às 10:33
Onda de calor atingiu a Itália recentemente ANSA


Oaquecimento global deverá ultrapassar nos próximos anos o limite de 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais, considerado o objetivo mais ambicioso estabelecido pelo Acordo de Paris.

O alerta consta em um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), divulgado nesta quarta-feira (2).

Segundo o documento, intitulado "Limiting Overshoot" ("Limitando a Ultrapassagem"), mesmo no cenário mais otimista a elevação da temperatura poderá atingir +1,8°C. A maioria dos demais cenários analisados prevê picos ainda mais elevados.

Apesar da perspectiva, o relatório aponta que ainda é possível limitar a intensidade e a duração do período em que o planeta permanecerá acima de 1,5°C.

Para isso, seria necessário adotar medidas rápidas e abrangentes de redução das emissões de gases de efeito estufa, combinadas com ações para retirar dióxido de carbono da atmosfera.

Entre as alternativas estão o reflorestamento e outros métodos de remoção e armazenamento de carbono. O relatório destaca, porém, que essas iniciativas não substituem cortes imediatos e sustentados nas emissões.

O PNUMA aponta como melhor alternativa disponível uma trajetória de "ultrapassagem, pico e redução subsequente". A estratégia consiste em evitar que o aquecimento permaneça por muito tempo acima de 1,5°C e, posteriormente, reduzi-lo para abaixo desse patamar o mais rapidamente possível.

Além da mitigação, o relatório ressalta a necessidade de medidas de adaptação às mudanças climáticas. O objetivo é diminuir a vulnerabilidade de comunidades e economias diante de eventos extremos e dos impactos que já estão ocorrendo.

"O calor abrasador, os incêndios florestais devastadores e as inundações mortais deste verão são um alerta para o que está por vir", declarou o secretário-geral da ONU, António Guterres.

De acordo com ele, qualquer ultrapassagem de 1,5°C deve ser "o mais limitada e breve possível".

Guterres também defendeu uma ampliação da ambição climática dos países. "Isso exige uma 'ultrapassagem' em termos de ambição", afirmou.

A organização ambiental WWF também reagiu ao relatório e defendeu que qualquer período acima do limite de 1,5°C seja mantido pelo menor tempo possível.

Em nota, a entidade pediu aos governos planos climáticos mais ambiciosos, aceleração dos cortes de emissões e aumento do apoio às populações e comunidades que já enfrentam os efeitos das mudanças climáticas. A organização também cobrou financiamento adequado para essas ações.

Para a WWF, a proximidade da ultrapassagem de 1,5°C deve servir como estímulo à ação, e não como justificativa para abandonar a meta. Quanto mais tempo o planeta permanecer acima desse patamar, maiores serão, segundo a organização, os riscos para as pessoas, a natureza e as economias.

A entidade considera o limite de 1,5°C uma referência de segurança "legal, moral e científica" e afirma que ultrapassá-lo, ainda que temporariamente, deve ser entendido como uma falha no cumprimento dos compromissos climáticos, e não como motivo para reduzir a ambição.

"Precisamos reduzir as emissões, não a ambição, e agir mais rapidamente para trazer o aquecimento de volta para baixo do limite estabelecido", afirmou a WWF.

A organização também alertou para o risco de alterações irreversíveis nos sistemas naturais e reforçou que cada fração de grau adicional de aquecimento aumenta os desafios para a sociedade. "Cada dia de atraso torna o desafio mais difícil", concluiu.