Justiça australiana condena bispo emérito por 13 crimes sexuais contra 2 aborígenes
Christopher Alan Saunders chegou a ser preso em 2024, mas foi liberado sob fiança
A Justiça australiana condenou, na última quinta-feira (13), o bispo emérito de Broome Christopher Alan Saunders, de 76 anos, por 13 crimes de natureza sexual contra dois jovens aborígenes.
O caso, que veio a público a partir de 2020, teve novas revelações em 2023, quando autoridades eclesiásticas do país encaminharam ao Dicastério para a Doutrina da Fé um dossiê de 200 páginas sobre as acusações.
Segundo o Vatican News, a decisão foi proferida pelo Tribunal Distrital da Austrália Ocidental e representa um desdobramento de um caso que já havia sido investigado anteriormente pela polícia.
Entre 2018 e 2020, foram realizados dois inquéritos, mas os promotores concluíram, na época, que não havia provas suficientes para apresentar acusações formais.
Posteriormente, novas denúncias reunidas em uma investigação conduzida no âmbito da Igreja Católica, segundo as normas do motu proprio "Vos estis lux mundi", promulgado pelo então papa Francisco, levaram as autoridades australianas a retomar e aprofundar as apurações.
Saunders foi preso em fevereiro de 2024, acabou posteriormente liberado sob fiança e passou a responder ao processo.
Das 19 acusações apresentadas inicialmente, seis foram retiradas durante o julgamento, incluindo duas de atentado ao pudor contra uma criança de 16 anos sob sua responsabilidade e quatro de agressão ilegal e indecente.
De acordo com os promotores, Saunders, conhecido como "Irmão B" por suas vítimas, organizava festas regadas a álcool em propriedades pertencentes à Igreja Católica para ter acesso a meninos e homens aborígenes e, assim, abusá-los sexualmente.
O bispo australiano, que liderou a Diocese de Broome entre 1996 e 2021, continua negando as acusações, e a defesa deverá recorrer da condenação.
Em comunicado, Tim Norton, atual bispo de Broome, expressou gratidão às autoridades responsáveis pelas investigações e pelo processo judicial e manifestou solidariedade às vítimas.
Norton destacou a "coragem" dos aborígenes e de outras testemunhas que se apresentaram para relatar suas experiências. Segundo o bispo, todos demonstraram "resiliência extraordinária" e grande empenho durante um processo longo e difícil.
Recentemente, o papa Leão XIV prometeu "esforços adicionais" e uma "resposta mais eficaz" diante do "flagelo" dos abusos sexuais na Igreja Católica, após ter se reunido com algumas vítimas.