ATENTADO

Jornalista italiano admite ter ordenado ataque a bomba contra casa de colega

Lavitola disse que atentado foi 'para o bem' de Ranucci

Por Redação ANSA Publicado em 12/08/2026 às 20:26
Lavitola foi preso em 10/8, acusado de ter ordenado ataque contra Ranucci ANSA

O empresário e jornalista italiano Valter Lavitola admitiu nesta quarta-feira (12) aos promotores em Roma que ordenou o atentado a bomba no ano passado contra a casa do jornalista investigativo da TV estatal Rai, Sigfrido Ranucci — um amigo pessoal de longa data.

Lavitola afirmou ter agido assim para que a escolta policial de Ranucci fosse reforçada, após ameaças de morte feitas pela máfia.

"Ele fez isso para o bem de Ranucci, pois ele era alvo de ataques", confirmou seu advogado, Sergio Cola.

No entanto, a promotoria alega que Lavitola arquitetou o atentado contra o apresentador para "impulsionar a popularidade" deste, visando uma possível entrada de Ranucci na política - da qual o empresário esperava tirar proveito.

"Você será primeiro-ministro em dois anos", escreveu o acusado à vítima em mensagem de chat.

Ao mesmo tempo, a Justiça italiana iniciou os trâmites para extraditar Gomes Clesio Tavares, um camaronês que se encontra foragido. Os investigadores alegam que o homem de confiança de Lavitola atuou como intermediário junto aos quatro autores materiais da explosão, que estão detidos desde o fim de junho.

Na noite de 16 de outubro de 2025, uma bomba foi detonada em frente à casa de Ranucci, nos arredores de Roma, e destruiu seu carro e o de sua filha, que havia estacionado no local 20 minutos antes.

Ninguém ficou ferido, mas o ataque provocou uma onda de consternação na Itália, com manifestações de solidariedade de toda a classe política e protestos da sociedade civil.

Lavitola foi detido na última segunda (10), acusado de ser o mandante do crime.