Irã desmente Trump sobre Ormuz: 'Não há negociações com EUA'
Teerã frisou que reabertura da rota tem sido discutida apenas com Omã
O Irã desmentiu a declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que há uma negociação em curso entre as partes sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, principal rota marítima comercial no Golfo Pérsico.
Segundo Teerã, o assunto tem sido tratado apenas com Omã.
"A alegação dos EUA de que negociações com o Irã [sobre Ormuz] estão em andamento é falsa", disse o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Kazem Gharibabadi, à imprensa local nesta quinta-feira (6).
"Não houve negociações" sobre o tema, reforçou Gharibabadi, embora ele tenha reconhecido que Teerã recebeu mensagens dos EUA sobre a possibilidade de retomar discussões precedentes.
Na quarta (4), Trump afirmou que as negociações com o Irã sobre a abertura do Estreito de Ormuz "progrediram muito" e que um acordo seria "possível" nos próximos dias.
Segundo o presidente, Teerã teria lhe implorado para tratar do assunto.
"Telefonaram e disseram: por favor, vamos conversar", falou o americano antes de embarcar no Air Force One para Los Angeles.
Ainda ontem, o governo iraniano anunciou um acordo com Omã sobre a gestão da navegação em Ormuz, rota crucial para o escoamento da produção de petróleo e gás natural do Golfo Pérsico e cujo bloqueio provocou uma disparada nos preços de energia nos últimos meses.
"As coordenadas geográficas da rota prevista pelos dois lados foram acordadas e, caso certas terceiras partes não obstruam o processo, a declaração conjunta dos dois países, contendo as principais considerações e pontos de acordo, também se encontra na fase final de revisão e redação", afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, segundo a agência de notícias estatal Irna.
Irã e Omã ficam um de cada lado dessa via marítima, por onde transitava cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) antes do início da guerra no Oriente Médio.
Baghaei, no entanto, explicou que isso não significa que o estreito se tornará seguro para todas as embarcações. "Os fatores que tornam o Estreito de Ormuz inseguro ainda persistem por parte dos EUA, em particular o bloqueio naval e outras ações agressivas e ameaçadoras contra o Irã e seus interesses", acrescentou.