EUROPA

Após terremoto de 4.7, 'campos ardentes' da Itália têm risco de novos tremores

Abalo sísmico em 'Campi Flegrei' deixou quase 30 feridos no sul do país

Por Redação ANSA Publicado em 01/08/2026 às 14:13
Dano provocado por terremoto em Pozzuoli, região metropolitana de Nápoles ANSA

Centenas de pessoas passaram a noite fora de casa devido ao terremoto de magnitude 4.7 na escala Richter que sacudiu a região metropolitana de Nápoles, sul da Itália, na tarde da última sexta-feira (31), enquanto especialistas alertam para o risco de novos tremores ainda mais fortes.

O abalo sísmico não provocou mortes, mas deixou 26 feridos e causou desabamentos em edifícios e o desmoronamento de rochas em cidades como Pozzuoli, situada sobre a caldeira de um supervulcão subterrâneo.

Moradores procuraram abrigo em áreas de acolhimento em Pozzuoli e na periferia oeste de Nápoles, porém muitos preferiram passar a noite em seus carros ou nas casas de familiares e amigos.

A intensidade do terremoto foi potencializada pela baixa profundidade — 2,6 quilômetros —, reflexo de um fenômeno conhecido como "bradismo" (ou "bradissismo"), que se caracteriza pela elevação ou rebaixamento do nível do solo a partir do gás e magma acumulados nas profundezas. Essa área do sul da Itália é conhecida como "Campi Flegrei", termo em grego antigo para "campos ardentes".

"É possível que o enxame sísmico continue nas próximas horas ou dias, mas não é possível prever a duração, o número ou a magnitude dos tremores nem excluir completamente a possibilidade de que o recorde atual seja superado", explicou o geólogo Andrea Billi, do Instituto de Geociências do Conselho Nacional de Pesquisas (CNR-GEO).

O tremor de magnitude 4.7 foi o mais forte na região em mais de 40 anos e deu origem a uma sequência com mais de 170 réplicas registradas até o momento. "Trata-se de um novo episódio da crise bradissísmica que começou em 2005 e atualmente está em fase de aceleração", disse à ANSA a diretora do Observatório Vesuviano do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia (INGV), Lucia Pappalardo.

Por outro lado, segundo ela, os parâmetros de levantamento do solo e fluxo de CO2 no subterrâneo permanecem "dentro da norma" dos últimos meses. Já Billi também ressaltou que o terremoto da última sexta "não indica, por si só, a iminência de uma erupção vulcânica".

O "bradismo", que significa, literalmente, "movimento lento do solo", caracteriza a caldeira de Campi Flegrei há vários séculos, com períodos alternados de rebaixamento e levantamento do terreno. A atual fase de elevação teve início em 2005.

"O bradissismo está ligado a variações de pressão e temperatura subterrâneas, dentro de um complexo sistema vulcânico e hidrotermal. As causas do soerguimento estão sendo estudadas e podem refletir a pressurização do sistema hidrotermal, devido à migração e acumulação de água, vapor, dióxido de carbono e outros gases, com possíveis contribuições de fontes magmáticas profundas. Esses processos deformam as rochas e fazem o solo inchar. Quando as tensões excedem a resistência das rochas, estas se fraturam, e a energia liberada se propaga como ondas sísmicas", explicou o pesquisador do CNR.

Em meio a esse cenário, o ministro da Defesa Civil da Itália, Nello Musumeci, pediu "prudência e autocontrole" à população. Até o momento, oito edifícios e cinco estabelecimentos comerciais foram declarados como inutilizáveis, e cerca de 300 pessoas estão desalojadas. Ao todo, 26 indivíduos ficaram feridos, cinco dos quais continuam hospitalizados. Dois deles estão em estado grave.

Nápoles, a maior cidade do sul da Itália, não registrou danos, e a circulação ferroviária na zona já foi retomada, com exceção de um trecho entre Bagnoli e Torregaveta, que deve ser reaberto neste domingo (2), assim como o porto comercial de Pozzuoli.