Dom Mazzi, padre e ativista italiano, morre aos 96 anos
Religioso é considerado um dos maiores nomes da causa social na Itália
O padre, educador e ativista italiano dedicado à reabilitação de dependentes químicos no país dom Antonio Mazzi morreu aos 96 anos nesta sexta-feira (31).
A informação foi confirmada pela Fundação Exodus, instituição criada por ele.
Segundo a Exodus, o falecimento ocorreu às 17h (12h de Brasília) em sua residência em Milão. A fundação expressou sua gratidão aos médicos, enfermeiros e à equipe especializada do Centro de Cardiologia Monzino, em Milão, e do Hospital Alto Vicentino, em Santorso, "que cuidaram dele ao longo dos anos".
"Ele deixa um vazio insubstituível", afirmou a entidade, destacando que o religioso faleceu "cercado, até o último momento, pelo carinho dos jovens que ajudou e dos educadores que trabalharam ao seu lado".
Por mais de 40 anos, dom Mazzi liderou a Exodus com dedicação incansável, "transformando as ruas em um lugar de renascimento, redenção e esperança para milhares de jovens em situação de vulnerabilidade e suas famílias".
A fundação destacou que o ativista abriu novas fronteiras "na Itália e em regiões carentes do mundo" por meio de associações e cooperativas, "defendendo uma mensagem poderosa de esperança no indivíduo e na humanidade".
"Toda a comunidade da Exodus se une em memória e gratidão a um homem que dedicou sua vida inteira ao acolhimento do próximo e à educação", reforçou a instituição em nota.
Dom Mazzi é considerado uma das figuras mais representativas do terceiro setor na Itália, um inovador nas políticas de assistência social e uma figura institucional fundamental no combate à dependência química e ao sofrimento juvenil.
Nascido em Verona em 1929, Dom Mazzi dedicou "cada dia de sua vocação àqueles que a sociedade tendia a deixar à margem". Em 1984, lançou as bases da Exodus no Parco Lambro, em Milão; a iniciativa começou como um projeto educativo itinerante, conhecido como "Caravana Exodus", que mais tarde evoluiu para uma rede nacional de comunidades, centros e polos educacionais para adolescentes, jovens adultos e famílias.
O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, proclamou luto municipal pelo falecimento do ativista.
"Um padre que dedicou sua vida e missão aos jovens em situação de vulnerabilidade. Com o falecimento de dom Antonio Mazzi, Milão perde uma figura de autoridade e uma referência para tantas pessoas na cidade e em toda a Itália", declarou Elena Buscemi, presidente da Câmara Municipal de Milão.
O Presidente da República, Sergio Mattarella, manifestou suas condolências pelo falecimento do padre.
“Ele [Mazzi] deu testemunho de um compromisso vigoroso e, muitas vezes, corajoso com o engajamento social e cívico, dedicando-se ao desenvolvimento dos jovens e à criação de ambientes e oportunidades — frequentemente inovadores — de solidariedade e amizade”, afirmou, em nota, o chefe de Estado, que estendeu sua “solidariedade e a proximidade à comunidade e aos jovens a quem ele serviu”.
O ministro da Agricultura, da Soberania Alimentar e das Florestas, Francesco Lollobrigida, também enviou uma mensagem pela perda.
"Com o falecimento de dom Antonio Mazzi, a Itália perde um gigante na causa social", destacou o chefe da pasta, citando que o religioso ativista "dedicou sua vida aos outros, empenhando-se em conduzir milhares de jovens, vítimas da dependência de drogas, a um caminho alternativo".
"Sua força e dedicação permanecem como um exemplo extraordinário para toda a nação", acrescentou Lollobrigida.
O velório de dom Mazzi ocorrerá em 3 de agosto na sede histórica da Fundação Exodus, no Parco Lambro, e será aberto ao público. Já a cerimônia fúnebre será celebrada na Basílica de Santo Ambrósio, em Milão.
O enterro será restrito a familiares e ocorrerá na Abadia de Maguzzano, no cemitério Ópera Dom Giovanni Calabria.