Futebol mundial lamenta morte de Franco Baresi, eterno ídolo do Milan e da Itália
Italiano é considerado um dos maiores zagueiros da história do esporte
A morte de Franco Baresi, aos 66 anos, provocou comoção no futebol italiano e internacional nesta sexta-feira (31).
Clubes, ex-companheiros, dirigentes e entidades esportivas prestaram homenagens ao eterno capitão do Milan e da seleção italiana, destacando seu legado como um dos maiores defensores da história do esporte.
O presidente da Federação Italiana de Futebol (Figc), Giovanni Malagò, afirmou que "o futebol italiano perde uma de suas lendas", um "campeão extraordinário" que dedicou toda a carreira ao Milan e à seleção italiana, tornando-se um símbolo de lealdade e excelência.
Malagò anunciou que a memória do ex-zagueiro será homenageada nas próximas partidas da equipe nacional: "Honraremos sua memória de forma adequada durante as próximas partidas da seleção — a mesma equipe à qual ele sempre demonstrou dedicação excepcional, tornando-se um de seus ícones mais gloriosos."
A Liga da Série B classificou Baresi como um exemplo permanente de lealdade, liderança e profissionalismo, enquanto o presidente do Comitê Olímpico Italiano (CONI), Luciano Buonfiglio, anunciou que proporá uma homenagem ao ex-jogador na rodada de abertura da próxima temporada do futebol italiano.
Diversos clubes italianos, incluindo Atalanta e Genoa, também prestaram tributos e destacaram a importância do zagueiro para a história do futebol mundial.
O maior rival do Milan, a Inter de Milão, também prestou homenagem ao histórico capitão rossonero. Em nota oficial, o clube destacou que Baresi foi uma das figuras que mais marcaram a história do clássico de Milão, sendo admirado até pelos adversários por sua liderança, inteligência tática e espírito esportivo.
A Inter também recordou a rivalidade familiar entre Franco e seu irmão Giuseppe Baresi, ídolo nerazzurro, descrevendo-a como um símbolo de respeito mútuo.
"Capitão do Milan, jogador de equipe e ícone, ele construiu sua carreira com base em sua capacidade de leitura defensiva do jogo e em um estilo de liderança reconhecido até mesmo por seus adversários. Ao longo dos 35 clássicos disputados contra a Inter, seu nome tornou-se sinônimo de serenidade e segurança em uma rivalidade sempre intensa, porém leal", escreveu o time rival.
O técnico da Inter, Cristian Chivu, afirmou que "todos que amam o futebol perderam um grande ícone".
Já a Juventus também manifestou solidariedade à família Baresi e ao Milan. Em mensagem publicada nas redes sociais, o clube destacou que o ex-jogador entrou para a história tanto por seu talento quanto por sua humanidade, classificando-o como um exemplo de classe, liderança e respeito dentro e fora dos gramados.
"Um exemplo para gerações de jogadores e torcedores; amado e respeitado por todos os entusiastas do futebol", diz a publicação no perfil oficial do clube italiano no X, enfatizando que a memória de Baresi "viverá para sempre".
Entre os ex-jogadores, Fabio Cannavaro relembrou a influência que Baresi exerceu sobre toda uma geração de defensores. Campeão mundial com a Itália em 2006, ele escreveu que os jovens zagueiros tentavam imitá-lo em campo e o agradeceu por ter sido um exemplo de profissionalismo e caráter.
"Você foi uma pessoa maravilhosa, um ícone, um capitão. Eu o observava na seleção e sonhava que um dia também vestiria aquela magnífica camisa azzurra. Você era um espírito livre — tanto na sua posição quanto na vida", concluiu o ex-craque.
Filippo Galli, ex-companheiro de equipe, lembrou do amigo e líder que continuou sendo capitão mesmo após encerrar a carreira. Em depoimento emocionado à ANSA, contou que bastava um olhar de Baresi para transmitir autoridade, recordando um episódio em que desistiu de deixar o estádio antes do apito final apenas por um gesto do ex-capitão.
"Com apenas um olhar, ele me fez entender que simplesmente não se pode nem se deve sair do San Siro antes do apito final. Bastou um olhar; ficamos até o fim", relatou.
No Milan, as homenagens foram especialmente emocionadas. O atacante Rafael Leão agradeceu ao "Capitão" e afirmou que seu legado viverá para sempre.
O agora ex-diretor técnico da Itália Paolo Maldini, que formou ao lado de Baresi uma das maiores duplas de zaga da história, escreveu uma longa despedida nas redes sociais, classificando-o como "o melhor jogador" com quem atuou e lembrando que aprendeu com ele o significado de liderança, dedicação e amor à camisa.
"Você me ensinou a lutar até o último suspiro, o que significa ser verdadeiramente devoto à camisa, e o valor de ser um verdadeiro líder. Você fez isso através do seu exemplo, todos os dias: poucas palavras, mas muita ação. Você me protegeu quando eu era criança, me guiou quando jovem e me inspirou na vida adulta. Você foi o maior jogador de futebol ao lado de quem tive a honra de atuar", enfatizou Maldini.
O proprietário do Milan, Gerry Cardinale, afirmou que Baresi personificou por gerações os valores do clube e destacou que, mesmo enfrentando problemas de saúde, permaneceu ao lado da equipe até os últimos momentos.
As manifestações ultrapassaram as fronteiras da Itália. O Barcelona definiu Baresi como uma lenda do futebol italiano cuja liderança e elegância permanecerão para sempre na memória dos torcedores.
A Uefa lembrou que ele foi um dos maiores defensores da história, destacando seus títulos europeus e as 81 partidas disputadas pela seleção italiana. Por sua vez, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, resumiu a trajetória do ex-zagueiro afirmando que ele foi, é e continuará sendo "eterno".
Considerado um dos maiores defensores da história do futebol, Baresi construiu uma carreira inteiramente dedicada ao Milan, clube pelo qual conquistou inúmeros títulos nacionais e internacionais, além de se tornar um dos maiores ídolos da seleção italiana.