DIPLOMACIA

Itália defende diplomacia no Oriente Médio e reunificação da Palestina antes de novo Estado

Tajani reforçou necessidade de manter 'ambição' de alcançar paz por meio do diálogo

Por Redação ANSA Publicado em 28/07/2026 às 20:48
Faixa de Gaza tem sido alvo de ataques de Israel © ANSA/AFP

O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, afirmou nesta terça-feira (28) que a comunidade internacional não deve abandonar a busca por uma solução diplomática para o conflito no Oriente Médio.

Em entrevista ao programa Tg2 Post, ele afirmou que, apesar das dificuldades, é necessário manter a "ambição" de alcançar a paz por meio do diálogo.

Tajani destacou a importância do diálogo inter-religioso entre cristãos, judeus e muçulmanos como uma ferramenta para reduzir tensões e criar condições para negociações de paz.

"Se cristãos, judeus e muçulmanos conseguirem conversar entre si, talvez possamos desarmar algumas das 'minas' que complicam o trabalho de construção da paz", declarou o ministro.

O chanceler italiano também condenou a violência contra civis e afirmou que tanto a expansão de assentamentos israelenses na Cisjordânia quanto ataques contra locais religiosos e atos antissemitas são inaceitáveis.

"É inaceitável que Israel - por meio de colonos - busque continuar ocupando territórios na Cisjordânia; da mesma forma, é inaceitável que mesquitas sejam incendiadas, vilarejos cristãos atacados e atos antissemitas cometidos em retaliação a eventos no Oriente Médio", afirmou.

As declarações foram feitas durante o primeiro dia de uma reunião de dois dias da Aliança Global para a Solução de Dois Estados, realizada na sede do Ministério das Relações Exteriores da Itália, a Farnesina, em Roma.

Durante a entrevista, Tajani também afirmou que a criação de um Estado palestino exige, antes de tudo, uma solução que permita a reunificação política dos territórios palestinos.

"Devemos garantir a reunificação da Palestina, pois, atualmente, a Cisjordânia é governada pela Autoridade Nacional Palestina — uma força moderada que dialoga com todos, busca reconhecer Israel e mantém contato com todo o Ocidente", observou ele, acrescentando que ela também interage com outras partes do mundo.

Por outro lado, Tajani destacou a situação em Gaza, onde o Hamas mantém influência sobre o território. Para ele, o grupo ainda precisa ser desarmado para que seja possível avançar em direção a uma solução política.

"O Hamas ainda não foi desarmado, e precisamos garantir que seja desarmado e que ocorra uma reunificação — levando à criação do Estado da Palestina —, o que significa dois territórios que devem se unir e, então, transformar-se em um Estado genuíno", concluiu.