MORTE

Imigrante morto em abordagem policial na Itália fazia tratamento de saúde mental

Abderrahim Fakir, de 42 anos, tinha consulta marcada para agosto

Por Redação ANSA Publicado em 24/07/2026 às 15:36
Protesto em Bolonha pela morte de Abderrahim Fakir ANSA

Abderrahim Fakir, o marroquino de 42 anos que morreu durante uma abordagem policial na Itália, no último domingo (19), havia iniciado recentemente um tratamento para problemas psiquiátricos e tinha uma consulta agendada para o início de agosto.

Segundo fontes ouvidas pela ANSA, Fakir foi encaminhado a um centro de saúde mental após dar entrada no pronto-socorro do Hospital Maggiore, de Bolonha, em 20 de junho, devido a um quadro psiquiátrico. Ele foi avaliado nos dias seguintes e recebeu um diagnóstico inicial e um plano de tratamento.

O imigrante, que vivia na Itália desde a infância, morreu após ser imobilizado no chão com o rosto virado para baixo. Em um vídeo gravado por uma testemunha, é possível ouvi-lo gritando "ajuda" e "basta", enquanto os agentes tentam contê-lo, prendendo suas mãos e pés, antes de ele desmaiar.

As forças de segurança haviam sido acionadas para intervir porque Fakir estaria em "crise psiquiátrica" e perturbando a ordem pública, de acordo com fontes que acompanham o caso. Outros vídeos mostram que o marroquino estava em estado de agitação e confusão antes da chegada da polícia.

De acordo com o jornal Il Messaggero, uma tomografia computadorizada dos ossos realizada na quinta-feira (23) sugere que ele teria sofrido asfixia devido a danos em seu trato respiratório, mas a causa exata do óbito será determinada pelo resultado da autópsia, que foi feita nesta sexta (24).

A necrópsia foi realizada no âmbito de um inquérito do Ministério Público por suspeita de homicídio culposo, que analisa a conduta dos dois policiais que seguraram o imigrante e de quatro paramédicos que participaram da ocorrência.

O caso gerou protestos contra a polícia na Itália, mas o ministro do Interior, Matteo Piantedosi, disse acreditar que a investigação vai comprovar a inocência dos agentes. "Esse é o enésimo episódio que evidencia a complexidade do trabalho das forças de polícia", disse ele à emissora La7. Segundo Piantedosi, imagens da abordagem mostram que os oficiais lidaram com a situação "com a delicadeza exigida nessas condições".

O ministro foi rebatido pelo advogado da família de Fakir, Fabio Anselmo, que o acusou de interferir no trabalho da magistratura. "Fiquei chocado ao ler as declarações de Piantedosi. Mais um ministro deste governo defendendo as ações dos policiais independentemente de tudo. Então eu me questiono para que fizemos uma autópsia", declarou.

Enquanto isso, o advogado dos dois policiais envolvidos no caso, Gabriele Bordoni, assegurou que ambos tentaram "proteger" o imigrante contra "eventos negativos". Já a esposa de Fakir afirmou a uma TV marroquina que seu marido foi "executado". "O que aconteceu não é certo, não é normal, ninguém o ajudou", acrescentou.