Vaticano nega absolvição de padre acusado de abusos após cobrança de supostas vítimas
Marko Rupnik foi expulso da Companhia de Jesus em 2023 após denúncias de freiras
O Vaticano informou nesta quarta-feira (22) que a análise do caso envolvendo o padre e mosaicista Marko Rupnik, ex-jesuíta expulso da Companhia de Jesus em 2023 após acusações de abusos sexuais e psicológicos contra freiras, pelos juízes responsáveis ainda não foi concluída.
Em comunicado, a Sala de Imprensa da Santa Sé também negou as notícias divulgadas recentemente de que já teria sido tomada uma decisão no processo, enfatizando que as informações são "totalmente infundadas".
Segundo a nota, o colegiado encarregado do caso continua examinando a documentação recebida de dioceses envolvidas, dos Jesuítas, das partes interessadas e também de relatos publicados pela imprensa.
"Em relação a certas informações que surgiram na mídia nos últimos dias, reitero que as notícias sobre qualquer decisão dos juízes que tratam do caso do Pe. Marko Ivan Rupnik são totalmente infundadas: a análise do caso ainda está em andamento", declarou a Santa Sé.
O Vaticano ressaltou ainda que, durante o andamento de um processo judicial, não podem ser divulgadas informações sobre as atividades em curso, em respeito ao procedimento e para evitar novos sofrimentos às pessoas envolvidas.
Por fim, rejeitou os relatos de que o julgamento canônico de Rupnik teria terminado com uma absolvição e explicou que o processo penal canônico segue em andamento e poderá chegar a conclusões sobre culpa ou inocência conforme as normas do Direito Canônico.
A Sala de Imprensa da Santa Sé destacou que Rupnik continua sujeito também às leis dos países onde possíveis infrações tenham ocorrido, sendo que a prescrição de crimes civis é definida pela legislação de cada país, independentemente da autoridade da Igreja.
O comunicado foi divulgado após cinco supostas vítimas de Rupnik afirmaram estar "desanimadas e angustiadas" diante da falta de informações sobre o andamento do processo conduzido pelo Vaticano.
Em carta enviada, por meio da advogada Laura Sgrò, ao prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, cardeal Victor Manuel Fernández, elas cobraram transparência e disseram sentir-se "traídas e abandonadas", embora tenham reafirmado que não desistirão de buscar justiça.
Rupnik, ex-integrante da Companhia de Jesus, foi expulso da ordem em 2023 após ser acusado de abusos sexuais, físicos e psicológicos. Embora alguns de seus mosaicos tenham sido cobertos, como nas entradas principais da Basílica do Rosário, em Lourdes, suas obras permanecem expostas em mais de 200 igrejas e santuários ao redor do mundo, incluindo em Aparecida, no Brasil.
As cinco denunciantes afirmam ter manifestado repetidas vezes disposição para colaborar com as investigações, mas nunca receberam respostas aos pedidos para participar formalmente do processo.