EUROPA

Museu do Louvre reabre Galeria Apollo nove meses após roubo milionário

Visitantes não encontrarão mais as históricas joias da Coroa Francesa

Por Redação ANSA Publicado em 22/07/2026 às 10:50
Galeria foi cenário de roubo milionário em outubro de 2025 © ANSA/EPA

A Galeria Apollo, um dos espaços mais luxuosos e emblemáticos do Museu do Louvre, foi reaberta ao público em Paris nesta quarta-feira (22), nove meses após ter sido palco de um dos roubos de obras de arte mais audaciosos dos últimos anos.

Apesar da reabertura, os visitantes não encontrarão mais as históricas joias da Coroa Francesa, retiradas após o furto de oito peças avaliadas em cerca de US$ 100 milhões.

Conhecida por sua decoração exuberante e pelo teto ricamente ornamentado, a galeria agora desperta a curiosidade dos turistas justamente por estar vazia. O roubo, ocorrido em plena luz do dia em outubro do ano passado, transformou o local em símbolo das falhas de segurança do museu mais visitado do mundo.

Embora quatro suspeitos tenham sido presos nas semanas seguintes ao crime, as joias roubadas continuam desaparecidas. As investigações mobilizaram autoridades francesas e contaram com a colaboração das polícias da Bélgica, da Itália e de outros países, mas nenhum dos objetos foi recuperado.

As peças remanescentes da coleção foram retiradas da galeria e serão exibidas futuramente em um ambiente de alta segurança, sem janelas e com proteção reforçada.

Segundo a investigação, os criminosos utilizaram uma plataforma elevatória acoplada a um caminhão para alcançar uma varanda da galeria. Em seguida, cortaram janelas e vitrines com equipamentos de alta potência antes de levar as joias.

O caso também revelou que vulnerabilidades estruturais da galeria já haviam sido apontadas em uma auditoria realizada em 2019, que alertava para riscos relacionados à varanda e à localização voltada para a rua. No entanto, as recomendações não foram implementadas.

O impacto do roubo foi além da perda do patrimônio histórico. A repercussão internacional expôs falhas no sistema de monitoramento por câmeras do Louvre, considerado defasado, provocou protestos entre funcionários e culminou na renúncia da então presidente do museu, Laurence des Cars.

Ela foi substituída em fevereiro pelo historiador da arte Christophe Leribault, ex-diretor do Palácio de Versalhes, que assumiu a missão de reforçar a segurança e restaurar a confiança na instituição.

Os quatro homens presos são da região de Paris e possuem antecedentes criminais por outros delitos, incluindo roubo. Alguns admitiram participação no crime, mas afirmam ter agido sob as ordens de um suposto mentor, cuja existência ainda é alvo de dúvidas por parte dos investigadores.

A principal hipótese é que o próprio grupo tenha planejado o assalto visando exclusivamente ao lucro financeiro. O Museu do Louvre recebeu cerca de nove milhões de visitantes no último ano, número superior à capacidade prevista para suas instalações e que tem intensificado debates sobre superlotação, preservação do patrimônio e segurança.