IGREJA CATÓLICA

Bispo de Bruxelas defende padres casados: 'Seriam um enriquecimento'

Segundo ele, a experiência das Igrejas Católicas Orientais é um exemplo

Por Redação ANSA Publicado em 18/07/2026 às 15:38
Luc Terlinden deu entrevista sobre fim de celibato © ANSA/EPA

O arcebispo de Mechelen-Bruxelas, dom Luc Terlinden, manifestou-se favorável à abertura de um debate sobre a possibilidade de ordenar homens casados na Igreja Católica.

A declaração foi feita em entrevista ao jornal Nederlands Dagblad, divulgada na última quinta-feira (16). "Para mim, padres casados seriam um enriquecimento para a Igreja", afirmou o arcebispo.

Segundo ele, a experiência das Igrejas Católicas Orientais demonstra que o sacerdócio exercido por homens casados pode coexistir com a tradição católica. Como exemplo, Terlinden relatou ter conversado com um bispo greco-católico que lhe informou que cerca de 90% dos sacerdotes de sua Igreja são casados.

"No Ocidente, nem sempre demonstramos o devido respeito por essa tradição oriental, que também é católica", declarou.

O tema já havia sido levado pelos bispos da Bélgica ao Vaticano durante o Sínodo sobre a Sinodalidade de 2023. Na ocasião, o episcopado belga apresentou um documento propondo a abertura de discussões sobre a ordenação de homens casados e solicitando maior descentralização na tomada de decisões pastorais, permitindo que as Igrejas locais tenham maior participação em determinados debates.

Apesar de defender a discussão, Terlinden ressaltou que qualquer mudança na disciplina do celibato sacerdotal depende exclusivamente da aprovação do papa Leão XIV.

Por fim, o arcebispo comentou a proposta do bispo de Antuérpia, dom Johan Bonny, que anunciou em março sua intenção de trabalhar para que homens casados possam ser ordenados sacerdotes em sua diocese até 2028.

"A posição do bispo de Antuérpia é fruto de sua própria iniciativa, mas, obviamente, ele não pode ordenar padres casados sem a permissão do Papa", concluiu.

O celibato é um dos aspectos mais controversos da doutrina católica e é questionado por alas mais progressistas dentro do clero, que defendem a ordenação de homens casados para combater a crescente escassez de padres em diversas partes do mundo.