Padre brasileiro desafia excomunhão do Papa e diz que seguirá celebrando missas
Françoá Costa classificou a decisão do Vaticano como "nula" e "inválida"
Um padre brasileiro, responsável pela Capela Santo Atanásio, em Ceilândia (DF), declarou que não reconhece a excomunhão confirmada pela Arquidiocese de Brasília e afirmou que continuará celebrando missas normalmente no local.
Trata-se de Françoá Rodrigues Figueiredo Costa, que, junto com a sua capela, foram excomungados pelo Vaticano devido ao vínculo criado com Fraternidade Sacerdotal São Pio X, grupo ultraconservador que desafiou o papa Leão XIV e rompeu com a Igreja Católica.
A decisão faz parte de um decreto publicado em 2 de julho pelo Dicastério para a Doutrina da Fé, que estabelece que os ministros da Fraternidade Sacerdotal São Pio X estão em situação de cisma e reforça que fiéis leigos que aderirem formalmente ao grupo passam a ser considerados excomungados.
Em vídeos divulgados nas redes sociais, o padre Françoá classificou como "nulas" e "inválidas" as excomunhões e as acusações de cisma contra integrantes e apoiadores da fraternidade. E, portanto, garantiu que continuará celebrando a missa diariamente e mantendo orações pelo Papa e pelo arcebispo de Brasília.
"Continuaremos todos os dias a rezar a Santa Missa, a mencionar o nome do Santo Padre no cânon da missa, a rezar, aqui no caso de Brasília, pelo senhor arcebispo de Brasília, consciente de que somos católicos. Não somos nós que temos que justificar nossa catolicidade. São os senhores que têm que justificar a catolicidade dos senhores", afirmou o sacerdote.
Na tradição da Igreja Católica, o cisma é caracterizado pela ruptura da comunhão com o papa e com a autoridade eclesiástica, representando uma separação formal da unidade da Igreja.
Em nota oficial, a Arquidiocese de Brasília informou que todas as celebrações, atividades pastorais e iniciativas promovidas pela Capela Santo Atanásio "são consideradas irregulares" por não estarem "em comunhão com o Romano Pontífice nem com o arcebispo metropolitano de Brasília".
A instituição também advertiu os fiéis para que não frequentem as atividades da capela, porque todos os católicos que participarem das iniciativas ligadas à Fraternidade Sacerdotal São Pio X também serão considerados em situação de cisma e excomunhão.
A medida do Vaticano foi publicada um dia após a Fraternidade Sacerdotal São Pio X ordenar quatro novos bispos, contrariando um apelo de Leão XIV para que a cerimônia não fosse realizada.
Fundada em 1970 pelo bispo francês Marcel Lefebvre, a fraternidade reúne cerca de 600 mil fiéis em diversos países e mantém uma longa disputa com a Santa Sé em torno da autoridade do papa e de mudanças promovidas pela Igreja Católica nas últimas décadas.