RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Rússia agradece à Bienal de Veneza por manter pavilhão aberto apesar de pressão da UE

Kremlin disse que organização de evento na Itália está 'livre de mentalidade fechada'

Por Redação ANSA Publicado em 14/07/2026 às 08:08
UE recomendou suspensão de verbas para organização ANSA

O governo russo expressou sua "gratidão" à Bienal de Veneza por manter a colaboração com o país e permitir a abertura do pavilhão russo, apesar da recomendação da Comissão Europeia para suspender o financiamento ao evento.

Segundo a agência estatal Tass, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou nesta segunda-feira (13) que a organização da Bienal na Itália está "livre da mentalidade fechada que atualmente domina a Europa".

"Gostaria de expressar gratidão àqueles que colaboraram e continuam a colaborar com os nossos representantes, e parabenizá-los por estarem livres da mentalidade fechada que atualmente domina a Europa", enfatizou Peskov.

O agradecimento é feito após a Comissão Europeia recomendar oficialmente que a Agência Executiva Europeia de Educação e Cultura (EACEA) suspenda uma contribuição de 2 milhões de euros destinada à Bienal de Veneza, após concluir uma avaliação sobre a condução do caso envolvendo o pavilhão da Rússia no evento cultural.

De acordo com o porta-voz do presidente Vladimir Putin, a Rússia considera que iniciativas para restringir a presença de sua produção cultural no exterior continuam em andamento.

"Só se pode lamentar que as tentativas de cancelar a nossa cultura continuem em outros países", afirmou Peskov, acrescentando que algumas manifestações da cultura russa ainda permanecem no exterior, mas enfrentam "forte pressão".

A controvérsia teve início após a Fundação Bienal de Veneza manter a presença do pavilhão russo, apesar das críticas e dos alertas enviados pela Comissão Europeia e pela EACEA. Ao longo de maio e junho, a instituição recebeu diversas solicitações de esclarecimento e foi advertida de que a continuidade da iniciativa poderia comprometer o financiamento europeu.

Embora a Bienal tenha sustentado que o pavilhão não violava as sanções impostas pela União Europeia e que o espaço não chegou a ser oficialmente aberto ao público, a Comissão considerou insuficientes as justificativas apresentadas.