TRAGÉDIA

Itália recorda acidente ferroviário que matou 23 pessoas há 10 anos

Tragédia em Andria, na região da Puglia, deixou 51 feridos em 12 de julho de 2016

Por Redação ANSA Publicado em 12/07/2026 às 19:37
Mattarella participou de cerimônia na região de Puglia ANSA

O presidente da Itália, Sergio Mattarella, esteve neste domingo (12) (12) em Andria, na região da Puglia, para participar da cerimônia que marcou os 10 anos do desastre ferroviário entre Andria e Corato, ocorrido em 12 de julho de 2016 e que deixou 23 mortos e 51 feridos.

A solenidade foi realizada na praça em frente à estação ferroviária de Andria e reuniu familiares das vítimas, sobreviventes, autoridades civis, religiosas e militares. Também participaram o governador da região da Puglia, Antonio Decaro, e a prefeita de Andria, Giovanna Bruno.

Às 11h05, mesmo horário em que ocorreu a colisão há uma década, foi realizado um minuto de silêncio, seguido pelo toque de 23 badaladas de sino e pela leitura dos nomes das vítimas.

Durante a cerimônia, Mattarella cumprimentou familiares e sobreviventes, oferecendo palavras de solidariedade e proximidade. Um parente de uma das vítimas se despediu do chefe de Estado em meio a lágrimas.

"Estou aqui para expressar solidariedade e proximidade a todos os cidadãos", declarou Mattarella ao cumprimentar Bruno, que agradeceu a presença do presidente. "Sua presença é um gesto de humanidade para esta comunidade e para esta região", afirmou ela.

A prefeita destacou que homenagens e monumentos não são capazes de preencher a ausência deixada pelas vítimas. Segundo ela, as mortes ocorreram por responsabilidades específicas.

"Não morreram por acidente, morreram por responsabilidade", declarou durante seu discurso, defendendo que a memória da tragédia continue orientando decisões futuras.

O acidente ocorreu em uma linha férrea de via única operada pela Ferrotramviaria, que na época utilizava um sistema de bloqueio telefônico para autorizar a circulação dos trens. Dois comboios colidiram frontalmente após uma sequência de falhas operacionais, segundo as decisões judiciais de primeira e segunda instância.

Na Justiça, o chefe da estação de Andria, Vito Piccarreta, foi condenado a seis anos e três meses de prisão, enquanto o maquinista Nicola Lorizzo recebeu pena de seis anos e nove meses. Outros 14 réus foram absolvidos, e o caso ainda aguarda julgamento no Supremo Tribunal de Cassação, marcado para outubro.

Após a tragédia, a circulação ferroviária no trecho ficou interrompida até abril de 2023. Atualmente, a linha conta com duas vias e sistemas automatizados de segurança.

O governador da Puglia, Antonio Decaro, afirmou que o desastre marcou uma mudança na infraestrutura ferroviária italiana. "Esse sacrifício também mudou a história da infraestrutura ferroviária do nosso país.

Os padrões de segurança mudaram e nasceu a Agência Nacional de Segurança Ferroviária", declarou.

Decaro também relembrou o impacto pessoal causado pelo acidente. Filho de um maquinista, afirmou que sempre viu o trem como símbolo de liberdade e desenvolvimento, mas que, após a tragédia, a imagem passou a carregar também a memória da dor.

Familiares das vítimas agradeceram a presença de Mattarella na cerimônia. Vincenzo Tedone, pai de Francesco, de 17 anos, uma das vítimas, disse que a visita do presidente representou um gesto de conforto para as famílias. Já Giuseppe Bianchino, pai de Alessandra, outra vítima, criticou a longa duração do processo judicial e afirmou que os familiares aguardam com pouca expectativa a decisão final.