EUA

Após troca de ataques, Trump diz que cessar-fogo com Irã 'acabou'

'Não quero desperdiçar meu tempo', afirmou o presidente em cúpula da Otan

Por Redação ANSA Publicado em 08/07/2026 às 10:46
Donald Trump durante cúpula da Otan em Ancara © ANSA/AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira (8) o fim do cessar-fogo no Irã, após uma nova troca de ataques entre os dois países no Oriente Médio.

"No que me diz respeito, acabou", disse o mandatário americano durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Ancara, na Turquia. "Não quero mais ter nada a ver com eles", acrescentou Trump, definindo os iranianos como "doentes" e "mentirosos".

"São pessoas péssimas. Não quero desperdiçar meu tempo. Se os negociadores querem continuar falando… Mas eu não gosto deles", salientou.

As forças dos EUA bombardearam mais de 80 alvos da República Islâmica na última madrugada, em resposta às hostilidades contra três petroleiros que navegavam no Estreito de Ormuz na terça-feira (7). Segundo o Comando Central americano (Centcom), foram atingidos "sistemas de defesa aérea, redes de comando e controle, postos de radar costeiros, estruturas de mísseis antinavios e mais de 60 pequenas embarcações do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica no estreito e nos arredores".

O objetivo era "enfraquecer a capacidade do Irã de atacar o comércio internacional que transita" por Ormuz, rota crucial para o escoamento da produção de petróleo e gás do Golfo Pérsico.

Teerã, por sua vez, acusou os Estados Unidos de violarem o memorando de entendimento que havia levado a um cessar-fogo entre os dois países e atacou instalações militares americanas no Bahrein e no Kuwait. "Qualquer sítio na região que apoie as forças dos EUA na violação da soberania e do território iraniano será um alvo legítimo", disse o comando operacional do Exército da República Islâmica.

"Graves violações do memorando de entendimento pelos Estados Unidos; quebra das regulamentações no Estreito de Ormuz; ameaças persistentes de novos ataques; reintrodução de sanções ao petróleo. ataques no sul do Irã; agressão sionista contínua no Líbano. A era da intimidação e da extorsão acabou. Não leva a lugar nenhum. Não nos curvaremos", escreveu no X o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, chefe dos negociadores do país.

Já o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, disse que os bombardeios dos EUA contra o Irã eram "absolutamente necessários" e acusou Teerã de "violar a trégua ao atacar navios". "Os Estados Unidos precisavam reagir com força", salientou.

O memorando firmado há 20 dias previa um cessar-fogo completo no Oriente Médio e a reabertura do Estreito de Ormuz, porém o Irã alertou que navios só poderiam transitar pela via mediante autorização e utilizando rotas pré-determinadas.