VATICANO

Tradicionalistas rechaçam apelo do Papa e mantêm ordenações

Postura da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X pode gerar cisma na Igreja

Por Redação ANSA Publicado em 30/06/2026 às 15:46
Cerimônia da Fraternidade de São Pio X em Écône, na Suíça © ANSA/AFP

A Fraternidade Sacerdotal de São Pio X, grupo ultraconservador fundado pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre (1905-1991), rechaçou o último apelo do papa Leão XIV para a organização desistir de ordenar bispos à revelia da Santa Sé, deixando a Igreja Católica a um passo de um novo cisma.

Após o pontífice ter alertado que "lacerar a túnica de Cristo" constitui um pecado de "extrema gravidade", os chamados "lefebvrianos" denunciaram "forças e pressões incompatíveis com um autêntico espírito católico".

"Longe de nós a ideia nos separarmos da Igreja Romana; pelo contrário, desejamos servi-la de maneira extraordinária, como quem ajuda uma mãe que necessita de assistência especial. Pedimos gentilmente que nos dê a sua bênção", diz um comunicado divulgado pela fraternidade.

"No contexto atual, devemos fazer todo o possível para remendar a túnica de Cristo, rasgada por forças e pressões incompatíveis com um autêntico espírito católico. Pedimos apenas que considere a sinceridade desta intenção antes de tomar uma decisão a respeito da Fraternidade de São Pio X. Não é tarde demais", afirmam os lefebvrianos.

Na última segunda-feira (29), o Papa enviou uma carta ao superior da organização, o padre italiano Davide Pagliarani, para pedir que desista de realizar uma ordenação de bispos à revelia do Vaticano nesta quarta (1º),em Écône, na Suíça.

A iniciativa dos lefebvrianos lembra uma ação análoga ocorrida em 1988, quando o arcebispo Lefebvre ordenou quatro bispos sem autorização papal, também em Écône, gerando um cisma.

Lefebvre e os quatro prelados foram excomungados imediatamente por São João Paulo II, decisão revogada apenas em janeiro de 2009, por Bento XVI. A Fraternidade Sacerdotal de São Pio X se opõe às reformas aprovadas pelo Concílio Vaticano II, que modernizou a Igreja, permitiu a realização de missas em todos os idiomas — até então, elas eram feitas apenas em latim — e aproximou o catolicismo das outras religiões.