EUROPA

UE recebe delegação talibã para discutir repatriação de afegãos

Encontro provocou críticas de entidades de direitos humanos

Por Redação ANSA Publicado em 23/06/2026 às 15:20
Regime talibã impõe severas restrições a mulheres no Afeganistão © ANSA/EPA

O poder Executivo da União Europeia realizou nesta terça-feira (23) uma reunião técnica com representantes do governo do Afeganistão para discutir a repatriação de imigrantes afegãos que cometeram crimes graves ou representam ameaça à segurança, o que motivou críticas por abrir as portas do bloco para integrantes do grupo fundamentalista islâmico Talibã.

O encontro, sediado em Bruxelas, contou com a participação de 15 Estados-membros da UE, que não reconhece o atual governo do Afeganistão. O Talibã retomou o poder no país após a desastrada retirada militar dos Estados Unidos e de seus aliados ocidentais, em agosto de 2021.

Os contatos, segundo a Comissão Europeia, ocorrem em resposta a uma iniciativa de 20 Estados-membros que, em outubro de 2025, solicitaram diálogos técnicos sobre repatriação e readmissão de afegãos.

Um primeiro encontro já havia ocorrido em janeiro deste ano, em Cabul, e a reunião de hoje abordou temas como identificação dos repatriados, emissão de documentos de viagem e procedimentos de retorno, com foco em pessoas que cometeram crimes graves.

Bruxelas, no entanto, enfatizou que o diálogo técnico "não significa de modo algum um reconhecimento" do regime talibã e que as repatriações são de competência dos Estados-membros, que analisam cada caso individualmente.

A visita da delegação afegã gerou controvérsia. O Ministério das Relações Exteriores da Bélgica concedeu vistos de um dia, válidos apenas para o país, após uma avaliação de segurança que não detectou eventuais "ameaças ao território belga".

Já a Federação Internacional pelos Direitos Humanos (Fidh) condenou o encontro e afirmou que os enviados talibãs "deveriam ser presos", não recebidos para diálogo.

"Convidar os talibãs para negociações em solo europeu confere uma forma de legitimidade política a um regime antidemocrático responsável por perseguição de gênero e outras graves violações dos direitos humanos", declarou Alexis Deswaef, presidente da Fidh, que agrupa quase 200 organizações europeias.

A federação também alertou que o Afeganistão "não é um país seguro para repatriações" e que nenhuma pessoa deveria ser devolvida a uma nação onde "corre risco real de perseguição, tortura ou outras graves violações dos direitos humanos".