Itália cancela fórum empresarial em Miami após polêmica entre Meloni e Trump
Decisão foi tomada após Tajani suspender viagem ao território norte-americano
O governo italiano anunciou nesta sexta-feira (19) o cancelamento do Fórum Empresarial e Científico entre Itália e Estados Unidos, que estava programado para ocorrer em Miami no próximo dia 22 de junho.
A decisão foi tomada após o vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, cancelar sua visita oficial aos Estados Unidos em reação a declarações consideradas ofensivas do presidente norte-americano, Donald Trump, contra a primeira-ministra Giorgia Meloni.
Em comunicado oficial, a Farnesina informou que o evento não será realizado porque estava inserido no contexto político da missão de Tajani.
Além disso, a pasta acrescentou que manterá contato com empresas e associações empresariais para promover futuras iniciativas de cooperação econômica bilateral entre Itália e Estados Unidos.
Mais cedo, Tajani anunciou nas redes sociais o cancelamento de sua viagem, prevista para os dias 21 e 22 de junho, por ter considerado as declarações de Trump contra Meloni como "graves e ofensivas".
Segundo ele, as palavras atingem não apenas a chefe de governo, mas toda a Itália.
A polêmica teve início após Trump afirmar que Meloni "implorou" para tirar uma foto com ele durante a cúpula do G7 em Évian-les-Bains, na França. A declaração foi negada pela premiê.
A saia-justa provocou repercussões imediatas no cenário político italiano. O governador da região da Lombardia, Attilio Fontana, expressou solidariedade à Meloni e anunciou o cancelamento de uma missão institucional aos Estados Unidos, prevista para a próxima semana. A agenda incluía participação em um fórum econômico e iniciativas de promoção internacional do chamado "sistema lombardo".
"Expresso minha total solidariedade à primeira-ministra Giorgia Meloni pelas palavras inaceitáveis proferidas por Donald Trump, que não refletem o respeito e a justiça em que devem se basear as relações entre chefes de Estado e de governo", afirmou Fontana, acrescentando que as declarações "ofendem Meloni e a Itália".
A oposição também reagiu. Igor Boni, presidente da Europa Radical, classificou as palavras de Trump como "inaceitáveis" e defendeu que o governo italiano convoque o embaixador dos Estados Unidos para apresentar uma condenação formal das declarações.
Para ele, o episódio exige uma resposta diplomática clara por parte de Roma. "Diante desse nível de ataque ao nosso país, precisamos de sinais concretos e de finalmente parar de baixar a cabeça", enfatizou Boni.