'Nunca deveria tê-lo conhecido', afirma Bill Gates sobre Epstein
Fundador da Microsoft negou ter presenciado crimes de pedófilo
O empresário e filantropo Bill Gates, fundador da Microsoft, admitiu nesta quarta-feira (10), durante interrogatório no Congresso dos Estados Unidos sobre o caso Jeffrey Epstein, que "nunca deveria ter conhecido" o financista e criminoso sexual morto em 2019.
"À luz do que sei hoje, entendo que se tivesse conseguido os doadores prometidos para a Fundação Gates, isso não justificaria nossa associação com ele", acrescentou o bilionário, reiterando que "nunca" testemunhou "o comportamento criminoso de Epstein, nem tive qualquer indício de que ele estivesse envolvido em qualquer atividade ilícita".
Gates também negou ter ido à ilha de Epstein, ao seu rancho ou a sua mansão na Flórida.
Segundo o Wall Street Journal, uma ex-funcionária de Gates e sua amante, Melanie Walker, que também era amiga íntima de Epstein, enviou um e-mail ao bilionário, em agosto de 2014, para lhe alertar sobre o financista.
"Você deveria manter uma distância saudável de qualquer assunto de natureza pessoal" relacionado a Epstein, escreveu Walker a Gates, de acordo com a reportagem publicada no domingo (7).
Walker o alertou sobre as consequências que ela viu "acontecer com muitas pessoas poderosas ao longo dos anos" por causa de Epstein, e disse que o falecido pedófilo tentava apelar para as "fraquezas ou propensões" das pessoas.
Gates nunca foi acusado de irregularidades em relação a Epstein, mas manteve um relacionamento profissional de longa data com o financista, reunindo-se com ele diversas vezes a partir de 2011 para discutir a criação de um possível fundo de caridade.
O fundador da Microsoft cortou laços com Epstein no final de 2014, pouco depois do e-mail de Walker.
Epstein foi preso em julho de 2019, tendo sido condenado por pedofilia. Ele morreu na prisão em agosto daquele ano enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual.
Além de Gates, nomes como o do presidente americano Donald Trump, do ex-presidente Bill Clinton e do ex-príncipe britânico Andrew Mountbatten-Windsor também aparecem ligados a Epstein.