Igreja Católica na Itália defende mais mulheres em cargos de liderança
CEI divulgou documento que endossa recomendações de Sínodo
A Conferência Episcopal Italiana (CEI) defendeu que a Igreja Católica deve ampliar a participação das mulheres em posições de autoridade e liderança, além de promover uma maior corresponsabilidade entre sacerdotes e leigos na condução das comunidades cristãs.
As propostas constam em um documento divulgado nesta quarta-feira (10), no qual os bispos italianos endossam as recomendações do recente Sínodo sobre a Sinodalidade.
O texto destaca a necessidade de repensar os modelos tradicionais de governo eclesial, considerados ainda excessivamente centralizados e marcados por uma cultura clerical.
"A liderança das comunidades cristãs precisa ser repensada, dadas as formas ainda monocráticas e clericais de exercício da autoridade", afirma o documento.
Segundo a CEI, é necessário "garantir a presença de mulheres em cargos de autoridade e liderança" em diferentes níveis da vida da Igreja.
O texto também abre espaço para a criação de novos ministérios batismais, que poderiam ser exercidos tanto por mulheres quanto por homens.
Entre as propostas estão formas de liderança compartilhada, trabalho em equipe na administração pastoral e a revisão das atuais comissões episcopais, com a inclusão de membros não pertencentes ao episcopado. Essas estruturas poderiam ser transformadas em "comissões eclesiais", ampliando a participação dos leigos nos processos de decisão.
Em outro trecho do documento programático, a CEI alerta para os desafios relacionados à gestão das estruturas materiais da Igreja, incluindo imóveis, patrimônios e procedimentos administrativos.
Os bispos reconhecem que muitos desses recursos são essenciais para a vida e a missão evangelizadora das comunidades, mas alertam que o excesso de estruturas e o tempo dedicado à sua manutenção podem prejudicar a vitalidade da ação pastoral.
"É sabido que algumas estruturas são necessárias para viver e transmitir a fé. É igualmente claro que seu excesso e o gasto de energia dedicado à sua manutenção, especialmente por parte dos sacerdotes, são um obstáculo e minam a vitalidade da mensagem do Evangelho", destaca o documento.
Diante das transformações sociais e culturais em curso, a CEI defende novas formas de administração e organização eclesial.
Segundo os bispos, será necessária uma "vigilância lúcida" para evitar que as estruturas se tornem um "peso morto" que dificulte a missão evangelizadora da Igreja.
O documento conclui que cada comunidade eclesial é chamada a repensar sua organização, seus espaços e suas atividades, buscando formas de transmitir a fé e anunciar o Evangelho em sintonia com as expectativas e necessidades da sociedade contemporânea.
"Não se trata de apagar o passado ou inventar novas estruturas, mas de criar as condições adequadas para conciliar a transmissão da fé e a proclamação do Evangelho com as expectativas dos homens e mulheres de hoje", finaliza o texto.