Itália cobra ação dos EUA para 'deter' Israel; UE avalia sanções contra ministros
Antonio Tajani deu declaração após celebração do 'Dia da República'
O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, afirmou nesta terça-feira (2) que cabe principalmente aos Estados Unidos exercer pressão sobre Israel para avançar em direção à paz no Oriente Médio.
As declarações foram feitas ao final do desfile do "Dia da República" Italiana, realizado nos Fóruns Imperiais, em Roma.
"O governo italiano não pode resolver a paz mundial, nem os Estados Unidos ou a China. O governo italiano não é a solução para todos os problemas. Acima de tudo, são os Estados Unidos que devem deter Israel. Estamos fazendo a nossa parte", declarou Tajani ao comentar os esforços diplomáticos para conter a escalada da crise na região.
Questionado sobre os ativistas da Flotilha Global Sumud, interceptada por Israel em águas internacionais, o chanceler italiano afirmou que prefere destacar o trabalho das forças de segurança e dos militares italianos.
"Prefiro ver o desfile militar, prefiro ver nossos militares que levam paz ao mundo todo, os funcionários da Unidade de Crise do Ministério das Relações Exteriores, que salva tanta gente no mundo, os Carabineiros, a polícia, a Guarda de Finanças e a polícia penitenciária, que garantem a segurança do nosso país. Devemos nos orgulhar dessas mulheres e desses homens", afirmou.
Tajani também voltou a cobrar esclarecimentos de Israel sobre os episódios envolvendo cidadãos italianos detidos durante a operação contra a flotilha.
Segundo ele, a condenação do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e do Ministério das Relações Exteriores israelense já representa um reconhecimento do ocorrido, mas Roma aguarda uma manifestação formal.
"A condenação de Netanyahu e do ministro das Relações Exteriores foi muito clara: conta como um pedido de desculpas. Depois veremos se também haverá um pedido formal por escrito", disse.
O chanceler classificou como "indigna" a forma como os ativistas foram tratados durante a detenção, principalmente pelo ministro de Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir.
Paralelamente, em Bruxelas, um rascunho das conclusões da próxima cúpula da União Europeia, marcada para os dias 18 e 19 de junho, prevê a continuidade dos trabalhos para a adoção de medidas restritivas contra ministros israelenses considerados extremistas.
Segundo o texto preliminar, o Conselho Europeu condena os maus-tratos sofridos pelos ativistas detidos após a interceptação da flotilha e solicita ao Conselho da UE que avance na elaboração de sanções contra autoridades que "incitam e promovem violações dos direitos humanos".
O documento também reafirma a condenação às ações unilaterais de Israel na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, especialmente à expansão dos assentamentos, considerados ilegais pelo direito internacional.
Os líderes europeus pedem que o governo israelense interrompa essas atividades, proteja a população palestina nos territórios ocupados e preserve o status dos locais sagrados em Jerusalém.
Além disso, o texto manifesta preocupação com a crescente violência de colonos israelenses contra civis palestinos e destaca os riscos jurídicos e reputacionais para empresas envolvidas na construção de assentamentos.
A minuta também expressa "grave preocupação" com a crise humanitária na Faixa de Gaza e pede que Israel permita o acesso imediato e irrestrito da ajuda humanitária, reabra as passagens de fronteira e suspenda restrições impostas a organizações não governamentais.