Uruguai diz estar 'pronto para responder' Itália sobre mulher ligada a Berlusconi
Caso protagonizado por Nicole Minetti inclui adoção de menino no país sul-americano
O governo do Uruguai disse nesta quinta-feira (30) que está preparado para atender oficialmente a eventuais pedidos de cooperação da Itália no âmbito do caso envolvendo a ex-dentista de Silvio Berlusconi e ex-deputada regional da Lombardia Nicole Minetti, que chacoalhou a política do país europeu.
Segundo fontes governamentais ouvidas pela ANSA, "como sempre, as autoridades competentes responderão formalmente às solicitações italianas, de acordo com a tradição democrática do nosso país".
A declaração ocorre em meio ao avanço das investigações que envolvem Minetti e seu companheiro, Giuseppe Cipriani, atualmente no Uruguai.
A mulher havia sido condenada a dois anos e 10 meses de prisão por favorecimento à prostituição, após ter aceitado ficar responsável pela garota de programa Karima el Mahroug, a "Ruby", pivô do escândalo "bunga-bunga" e então menor de idade, para que ela fosse liberada de uma delegacia a pedido de Berlusconi, então primeiro-ministro, em 2010.
Em fevereiro passado, Mattarella concedeu perdão presidencial para Minetti, depois de um parecer favorável do Ministério da Justiça alegar que ela precisava estar livre para cuidar de um menor de idade gravemente doente, mas uma reportagem publicada pelo jornal Il Fatto Quotidiano lançou dúvidas sobre a veracidade dessa história.
A criança em questão é um menino adotado pelo casal.
Por causa disso, o gabinete de Mattarella enviou um ofício ao Ministério da Justiça solicitando a apuração de supostas falsidades nos documentos que basearam o pedido de clemência.
Em meio à polêmica, promotores uruguaios analisam registros de entrada e saída do país, enquanto, na Itália, a apuração conduzida pela Procuradoria de Milão se concentra em consultas médicas ligadas ao caso.
Em Roma, o Palácio do Quirinal divulgou nota pedindo cautela na cobertura midiática e reforçando que não há conflito com o Ministério da Justiça. Segundo fontes da presidência, o indulto concedido a Minetti seguiu o procedimento padrão, baseado em parecer "amplamente favorável" das autoridades judiciais competentes.
No entanto, após as novas informações divulgadas pela imprensa, o presidente solicitou, em comum acordo com o Ministério da Justiça, uma reavaliação dos elementos que embasaram a decisão.
"É agora nosso dever aguardar respeitosamente a pronta conclusão destas investigações pelo poder judicial", afirmou uma fonte do gabinete presidencial. As autoridades italianas também devem ouvir médicos de hospitais como o Hospital San Raffaele e uma unidade em Pádua, responsáveis por avaliações sobre o estado de saúde do filho adotivo de Minetti. Paralelamente, investigações analisam o estilo de vida recente da ex-conselheira, incluindo estadias no Uruguai e em Ibiza.
Até o momento, não há confirmação de processos criminais contra Minetti ou Cipriani, que voltaram ao território uruguaio há uma semana. Ainda assim, as autoridades seguem apurando possíveis irregularidades, incluindo eventos realizados em empreendimentos ligados ao empresário.
No Uruguai, a Justiça também revisa detalhes da adoção da criança, oficializada em fevereiro de 2023 por um tribunal de Maldonado. Documentos indicam que o menor foi declarado abandonado e legalmente separado dos genitores, além de destacar que a criança está "feliz" e "não tem memória de sua família de origem".
Investigações adicionais buscam esclarecer o paradeiro da mãe da criança, que está desaparecida desde fevereiro e cujo histórico criminal também veio à tona em reportagens locais. De acordo com a imprensa uruguaia, a mulher foi julgada em 2015 por homicídio, crime pelo qual cumpriu aproximadamente três anos de prisão.