Foto de família equatoriana separada pelo ICE nos EUA vence prêmio World Press Photo
Imagem revela drama de esposa e filhas que tentavam impedir prisão de imigrante
Uma fotografia de uma família equatoriana separada pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) é a vencedora do prêmio World Press Photo 2026, anunciado nesta quinta-feira (23).
A imagem, feita pela fotógrafa americana Carol Guzy, da agência de notícias Zuma e do iWitness Institute para o Miami Herald, mostra o momento dramático em que o imigrante Luis foi preso e separado de sua esposa e filhas, que tentavam segurá-lo pela camisa, após uma audiência no tribunal de imigração de Nova York em 26 de agosto de 2025.
O júri selecionou a imagem dentre um conjunto de fotos tiradas por Guzy em um corredor do lado de fora da sede judiciária nova-iorquina, onde famílias eram frequentemente separadas após as audiências, provocando cenas emocionantes.
"Testemunhamos o sofrimento de inúmeras famílias, mas também a sua graça e resiliência que transcendem a adversidade, o que tem sido bastante comovente", disse Guzy em comunicado.
O júri analisou mais de 57,3 mil fotografias de 3,7 mil fotógrafos de 141 países, selecionando 45 imagens de destaque em todo o mundo.
A foto vencedora, "Separados pelo ICE", é um "exemplo poderoso de por que o fotojornalismo independente é importante", declarou Joumana El Zein Khoury, diretora-executiva da World Press Photo.
Já o fotojornalista Saber Nuraldin, da EPA Images, foi finalista com uma imagem de refugiados palestinos cercando um caminhão de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, em uma disputa por farinha durante uma breve pausa no bloqueio israelense.
O terceiro finalista ao prêmio foi Victor J Blue, da revista The New York Times Magazine.
Ele retratou mulheres indígenas Achi na Guatemala, que venceram uma batalha judicial contra forças paramilitares que cometeram atrocidades durante a guerra civil do país.
"Oferecendo um poderoso reflexo do nosso mundo, os vencedores iluminam as realidades que enfrentamos globalmente, marcadas por rupturas, urgência e, ainda assim, uma resiliência inata", reforçou a World Press Photo em comunicado.