Júri da Bienal de Veneza exclui Israel e Rússia de disputa por prêmios
'Países de líderes acusados de crimes pelo TPI não serão considerados', diz nota
O júri internacional da 61ª Bienal de Arte de Veneza, presidido pela brasileira Solange Farkas, anunciou nesta quinta-feira (23) a exclusão de Israel e Rússia da disputa pelos Leões de Ouro e Prata, os maiores prêmios do evento.
O comunicado cita que "não serão considerados países cujos líderes estejam atualmente acusados de crimes contra a humanidade pelo Tribunal Penal Internacional (TPI)"
"Como membros do júri, temos a responsabilidade de cumprir o papel histórico da Bienal como plataforma que conecta a arte às necessidades urgentes de seu tempo", ressaltou o grupo liderado por Farkas, chamando de "complexa relação" o "trabalho dos artistas" com "as ações dos Estados que representam" em Veneza.
"Com isso, manifestamos nossa solidariedade à declaração da curadora [da 61ª edição] Koyo Kouoh: 'Ao rejeitar o espetáculo do horror, chegou a hora de ouvir os tons menores, de sintonizar silenciosamente os sussurros, as frequências mais baixas; de encontrar os oásis, as ilhas, onde a dignidade de todos os seres vivos é salvaguardada'", concluíram as juradas.
Por sua vez, a Bienal de Veneza, através de sua assessoria de imprensa, destacou que a decisão do júri internacional do evento é "repleta de autonomia e independência de julgamento no exercício de suas funções", assim como ocorreu nas edições anteriores.
"É uma expressão natural da liberdade e da autonomia que a Bienal garante", enfatizou a nota.
A Fundação da Bienal de Veneza, que organiza a atividade, causou polêmica nas últimas semanas ao permitir a participação de artistas russos na edição 2026, quando a guerra na Ucrânia chegou ao seu quarto ano.
A medida gerou reações, como da Comissão Europeia, que revogou um financiamento de 2 milhões de euros à Bienal.
"Trata-se de uma recaída na anticultura que ressurgiu no Ocidente nos últimos anos", declarou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Moscou, Maria Zakharova, ao comentar a decisão da Comissão Europeia.