Após derrota de Orbán na Hungria, UE destrava empréstimo à Ucrânia
Países-membros também deram sinal verde para novo pacote de sanções
Os países-membros da União Europeia deram sinal verde nesta quarta-feira (22) para um empréstimo de 90 bilhões de euros (R$ 525 bilhões) à Ucrânia, quantia que vinha sendo bloqueada pelo veto do primeiro-ministro da Hungria Viktor Orbán.
O aval para destravar o repasse coube ao Comitê de Representantes Permanentes (Coreper) da UE, órgão composto pelos embaixadores dos 27 integrantes do bloco.
Em comunicado, o porta-voz da presidência rotativa do Chipre na União Europeia disse que é necessário "continuar apoiando a Ucrânia com determinação e exercendo pressões sobre a Rússia".
O empréstimo havia sido acertado em dezembro passado e prevê a destinação de 90 bilhões de euros a Kiev em 2026 e 2027, recursos financiados pela emissão de dívida por parte da Comissão Europeia (poder Executivo do bloco) e garantidos pelo orçamento da UE.
Esse mecanismo foi utilizado até hoje apenas para bancar o fundo de recuperação para o pós-pandemia, já que o endividamento da Comissão Europeia para financiar políticas comunitárias ainda é motivo de controvérsia entre os países-membros.
No início do ano, no entanto, Orbán passou a bloquear a tramitação do empréstimo à Ucrânia, ainda que a UE tenha aceitado não incluir Hungria, Eslováquia e República Tcheca no instrumento.
O líder de extrema direita sempre foi simpático ao regime do presidente da Rússia, Vladimir Putin, e acusava Kiev de atrasar obras de reparo no oleoduto Druzhba, também conhecido como oleoduto da Amizade, instalação da era soviética que transporta petróleo russo para países do leste europeu, passando pelo território ucraniano.
Mas Orbán foi derrotado pelo conservador Péter Magyar nas eleições de 12 de abril, enquanto o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou na última terça-feira (21) que o oleoduto, danificado por ataques atribuídos a Moscou, havia sido consertado e já pode voltar a operar.
Na reunião desta quarta, o Coreper aprovou ainda o 20º pacote de sanções contra Moscou, que também vinha sendo vetado pela Hungria.